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Quando o controle institucional sobre o STF falha, o que sobra?

Alexandre de Moraes: um dos responsáveis pela desmoralização do STF.
Alexandre de Moraes: um dos responsáveis pela desmoralização do STF. (Foto: Foto: Rosinei Coutinho/STF)

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Não existe sistema jurídico-político perfeito. Isso é trivial. Se existisse, teria sido adotado por qualquer país que levasse a democracia minimamente a sério – ao menos se considerarmos que democracia não é um ideal sofisticado, mas o ponto de partida. A experiência brasileira mostra que o modelo de freios e contrapesos já funcionou. Pessoas ligadas ao Poder Executivo foram investigadas por órgãos estatais a ele vinculados.

Uma presidente da República foi afastada pelo Congresso, em um processo que, concorde-se ou não com o mérito político, demonstrou capacidade institucional de contenção. Parlamentares e autoridades do alto escalão já foram processados e condenados criminalmente. Decisões judiciais abusivas também já foram revistas por tribunais superiores. Até magistrados passaram a responder por desvios ligados ao exercício do cargo em escândalos recentes. O sistema, portanto, não é uma abstração teórica: ele já operou.

O Senado não age contra os abusos do STF. Não fiscaliza. Não reage. Seja por conveniência, medo ou dependência política, consolidou-se um pacto informal de autopreservação entre os Poderes

O problema começa quando o desequilíbrio se instala no topo. O que acontece quando o poder que deveria ser o último freio, como o Supremo Tribunal Federal (STF) passa a atuar sem freios visíveis? Quando a instância que encerra todos os debates parece não admitir qualquer forma de controle?

A Constituição não deixa margem a dúvidas. Cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade (art. 52, II). Esse mecanismo não é simbólico; existe justamente para impedir a concentração absoluta de poder.

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Na prática, porém, tornou-se letra morta. O Senado não age contra os abusos do STF. Não fiscaliza. Não reage. Seja por conveniência, medo ou dependência política, consolidou-se um pacto informal de autopreservação entre os Poderes – um jogo de retaliações silenciosas, típico de um faroeste institucional. Nesse cenário, a pergunta incômoda surge naturalmente: quem freia o Supremo?

A resposta é desconfortável, mas simples. Quando os mecanismos institucionais falham, sobra o voto. O voto não como gesto simbólico, mas como última instância de correção do sistema. Sem parlamentares independentes, sem passivos judiciais, sem padrinhos e sem medo de retaliação do STF, o controle constitucional vira ficção. O problema não está apenas nas instituições – está na qualidade de quem as ocupa.

Sem renovação política real, o desequilíbrio deixa de ser episódico e passa a ser estrutural. E nenhuma democracia sobrevive quando o poder máximo deixa de ser efetivamente contido por qualquer outro.

Enzo Fachini, advogado, é mestre em Direito Penal Econômico pela FGV.

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