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“Na ordem do dia está o imperativo de uma reforma política que reduza a incerteza e estimule o investimento. O atual sistema político-partidário está esfacelado e qualquer liderança terá nele um obstáculo para a condução da economia”| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Se foi difícil atravessar o período de pandemia, o cenário para 2022 não parece muito melhor. O próximo ano vai receber uma herança pesada de 2021, com destaque para a inflação persistente, a desaceleração da atividade econômica, a lenta recuperação de empregos, a redução do nível de renda real das famílias, o dólar elevado e instável e a fragilização fiscal.

É interessante notar que essa herança caracteriza a reversão parcial de diversas conquistas que o país havia obtido ao longo das últimas décadas e que foram perdidas por conta de erros sucessivos na condução da política econômica ao longo dos últimos dez anos. E, para restabelecer os fundamentos do crescimento econômico sustentável que foram perdidos, 2022 vai exigir total empenho político para embarcarmos rumo a uma economia mais próspera.

Na ordem do dia está o imperativo de uma reforma política que reduza a incerteza e estimule o investimento. O atual sistema político-partidário está esfacelado e qualquer liderança terá nele um obstáculo para a condução da economia. Além disso, é preciso avançar com a reforma tributária, mas sem colocar o aumento da arrecadação como prioridade. A teia de tributos brasileira sufoca a produção e onera o emprego, o que também dificulta a retomada do crescimento.

Junto com a reforma tributária, há a necessidade de uma reforma administrativa que permita a redução dos gastos do setor público com pessoal. No Brasil, convivemos com profissionais essenciais mal remunerados, como médicos, enfermeiros, policiais e outros agentes públicos, lado a lado com supersalários e superaposentadorias que não se justificam em um país tão empobrecido. Se nada for feito, em breve o Estado brasileiro não terá dinheiro para mais nada além de pagar salários, aposentados do setor público e juros da dívida.

Por último, mas não menos importante, entra também a reforma trabalhista. Empregar e demitir hoje no país custa muito caro. Não se trata de retirar direitos dos trabalhadores, mas de colocar o país no século 21 em termos de normas trabalhistas. O que mais beneficia um trabalhador é a garantia de emprego digno e não uma montanha de benefícios que empurra milhões de pessoas para a informalidade e o subemprego, enquanto apenas alguns poucos usufruem da famosa carteira assinada.

Robson Gonçalves é professor de Economia dos cursos de MBA do Isae/FGV.

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