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Que a vida humana oscila entre a dor e o prazer não é novidade para ninguém. Todos sabemos que há dias de profunda angústia, e outros de imensa alegria. Em um momento vivemos um átimo de felicidade, em outros mergulhamos em uma espécie de “nada absoluto”, um vazio supremo. Saber lidar com esse paradoxo frenético é um dos maiores desafios para o homem moderno.

Para o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, a vida é uma alternância entre a dor, proveniente da necessidade e do desejo de obter algo (ou alguém), e do tédio, decorrente da satisfação que resulta da necessidade suprida: “A vida humana transcorre, portanto, toda inteira entre o querer e o conquistar. O desejo, por sua natureza, é dor: a satisfação bem cedo traz a saciedade. O fim não era mais que miragem: a posse lhe tolhe o prestígio; o desejo ou a necessidade novamente se apresentam sob outra forma (...) o nada, o vazio, o tédio”. Nesta engrenagem o homem está condenado a ser infeliz, pois a vontade se renova a cada dia. Disso resulta a constatação schopenhauriana de que toda a vida é sofrimento e dor.

Ainda que as coisas pareçam trágicas, há uma possibilidade de parar a roda do sofrimento

Contudo, ainda que as coisas pareçam trágicas, há uma possibilidade de parar a roda do sofrimento. A proposta de Schopenhauer para superar a dor encontra apoio na filosofia oriental, em especial naquela representada pelo budismo: trata-se da negação (ou superação) da vontade individual, que é cega e insaciável. Seguindo as considerações do filósofo, os meios para que o indivíduo possa superar a vontade individual residem na experiência artística que conduz à genialidade, a qual mantém uma relação autêntica com a capacidade intuitiva do ser humano. A genialidade é a capacidade de se manter na esfera da intuição e se libertar da força da vontade individual.

Do mesmo autor:A ética do adulterador (30 de março de 2017)

Neste panorama, a experiência estética, compreendida como a contemplação das artes e da própria natureza, desponta como balsamo que alivia a angústia e é capaz de gerar a paz. O belo, que se manifesta no mundo, torna o fardo da existência menos pesado, fazendo com que a vida seja suportável. O artista empresta seus olhos para o espectador, evidenciando a essência daquilo que se pode chamar de “sentido da vida”. A roda do tempo para, as relações desaparecem: apenas o essencial se manifesta. O espectador, ao contemplar o mundo da perspectiva correta, encontra a alegria, a felicidade e a paz tão desejadas.

Edimar Brígido, doutorando em Filosofia, é professor de Filosofia no UniCuritiba.
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