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Um país que reage, das mais variadas formas, ao caos ético e moral onde foi enfiado nos últimos anos, não é uma instituição contra sua própria existência. É um país (e aqui entenda-se partes significativas de sua população) que realiza um bom combate. E seu objetivo nada mais é do que preparar o próprio país para se ver livre desse caos e mais receptivo a atitudes limpas, benéficas, de todas as gerações, especialmente desta que revolta-se contra a infelicidade que toma conta da vida brasileira.

É preciso se ter em conta que esta vida tem cinco séculos de contradições, de maus costumes, de tragédias morais etc. Mas também é preciso deixar claro, incisivamente, que a situação piorou, de forma comprometedora, neste governo. É um governo demagogo, cínico, incompetente, tanto administrativa quanto politicamente, e mal intencionado. É um grupo que, antes do poder, sempre vaiou, protestou, agrediu e que, agora, não aceita vaias e críticas, dizendo logo que é golpe das elites e da oposição derrotada; dizendo, com a maior desfaçatez, que é um golpe contra a democracia.

É um governo liderado por um presidente fraco, que não toma decisões, que fica se esgueirando dos problemas, escorando-se em analogias infelizes que, infelizmente, agradam a uma grande parte de brasileiros, além de colecionar gafes tanto dentro como fora do país. É um governo que assiste a tragédias, distribuindo sorrisos e bolsas populistas, que só prolongam a miséria, sem atacar suas causas. São fatos que nos horrorizam e nos envergonham: tragédia da TAM, pilhagem no avião acidentado da Gol, ameaça real de apagão no setor energético, falta de infra-estrutura em rodovias, aeroportos, portos, ferrovias etc. E são fatos rebatidos com promessas e mais promessas.

É um governo que vive na ilha de fantasia de Brasília, onde se amontoam seus apaniguados partidários e seus aliados como Renan Calheiros (mais uma vergonha nacional!), que não enxergam as mazelas do país e quando parcelas da população se mobiliza (o que também, infelizmente, é coisa rara) responde que é golpismo. Vamos ser honestos: é um país à deriva, sem rumo, sem autoridade e, por que não enxergar?, sem governo, totalmente desgovernado.

É uma elite política e administrativa (com honrosas e felizes exceções) que rouba, que superfatura, que corrompe, que aumenta o quadro do funcionalismo público com seu quadro partidário e familiar, que legisla em nome de seu grupo e nunca em nome da nação, que faz pouco dos escândalos, que acusa e quer perseguir a imprensa que lhes faz marcação cerrada, que usa e abusa do lobby, que burla as leis, que rouba o fisco, é um monte de maus exemplos em todo o país. Penso, às vezes, que é nisso que dá não praticarmos nem o bom combate, sermos tão pacatos. Uma das poucas coisas das quais me arrependo nos meus dois anos na presidência da Associação Comercial do Paraná foi a de ter trazido o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o auditório da nossa entidade. Com a melhor das boas intenções, promovemos sua vinda à ACP. Mas, infelizmente, como na maioria dos lugares, ele só fez promessas e mais promessas demagógicas, inclusive para o setor empresarial.

São elogiáveis e insuficientes os movimentos democráticos – "Brasil Melhor", "Cansei", "Fora, Lula" etc. – que começam a se multiplicar pelo país, doam a quem doer. Eles não podem ser abandonados, mas fortalecidos, são a forma legal de se questionar o que estamos vivendo. Até porque, usando o título de outro artigo, não custa lembrar que "paciência abusada vira fúria".

Cláudio Slaviero, empresário, é ex-presidente da Associação Comercial do Paraná.

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