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O Brasil está sob ataque. A frase pode parecer alarmista, mas reflete exatamente a realidade das lavouras do país. Um dos setores mais pujantes da economia brasileira, a agricultura está exposta ao ataque de centenas de pragas exóticas que podem provocar danos severos à nossa produção. Nos últimos meses, temos visto os enormes prejuízos causados pela Helicoverpa armigera, uma espécie de lagarta até então desconhecida dos brasileiros, mas que possui um apetite voraz e já comeu na atual safra ao menos US$ 1 bilhão das lavouras de soja do Mato Grosso e Bahia. Se olharmos para o futuro, porém, o cenário é ainda mais sombrio. De acordo com especialistas, existem outras 150 pragas com potencial para invadir lavouras em algum ponto do Brasil. Os efeitos podem ser devastadores.

É preciso atenção por parte das autoridades. Está em jogo a viabilidade econômica e produtiva de um setor estratégico para o Brasil. Estamos falando de comida, o bem mais valioso que uma nação pode ter. Vale lembrar que, em menos de 40 anos, o país passou de importador para um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. O agronegócio é responsável por mais de 20% do PIB nacional e deve crescer 9% em 2013. Diante disso, é essencial que o controle dessas pragas seja visto pelo governo como uma questão de segurança nacional.

Às vésperas de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo e a Olimpíada, que devem atrair dezenas de milhares de turistas ao país, ainda faltam políticas efetivas de combate às pragas exóticas no Brasil. Fungos, bactérias, lagartas e sementes são facilmente transportados – intencionalmente ou não. Portanto, é preciso fazer um trabalho preventivo, reforçar a segurança nas fronteiras e criar mecanismos que ofereçam maior agilidade na aprovação de novas tecnologias. Atualmente, o processo regulatório para a aprovação de produtos necessários para controle dessas pragas não anda na mesma velocidade em que elas se disseminam no campo.

A modernização dos processos é essencial para garantir a segurança alimentar não apenas do Brasil, mas de boa parte do mundo. Basta lembrar que até 2050 a população mundial chegará a 9 bilhões de pessoas e, segundo estimativas da FAO, será preciso aumentar a produção mundial de grãos em 60%. Grande parte desse crescimento virá do Brasil. Um desafio gigantesco, do tamanho do nosso potencial agrícola, e que requer união de esforços entre governo, órgãos regulatórios e produtores, para que possamos encontrar soluções para vencer esta guerra contra as pragas e garantir, assim, o futuro próspero para nossas lavouras.

Eduardo Daher, economista, é diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

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