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Uma virada de ano para os judeus, com esperança de paz para o Oriente Médio

  • PorAndré Lajst
  • 18/09/2020 19:36
Israel Emirados árabes unidos
Bandeiras nacionais dos Emirados Árabes Unidos e de Israel.| Foto: KARIM SAHIB e Ahmad GHARABLI/AFP

No judaísmo, repetimos diversas vezes em músicas e rezas a expressão “Be Shaná Abá Be Yerushalaim - No ano que vem em Jerusalém”.

Hoje a noite, o povo judeu celebra a chegada do ano 5781. Podemos dizer que 5780 foi um ano com diversos desafios para todos nós. Uma pandemia sem precedentes, uma crise política em Israel sem precedentes e os desafios estratégicos já conhecidos como Hamas, Hezbollah, Irã e seus afilhados, sempre engajados em transformar o Oriente Médio em um campo de batalha.

Se separarmos o Oriente Médio em dois campos, existem aqueles que almejam a paz e aqueles que fazem de tudo para impedi-la. Tais grupos, financiados pela República Islâmica do Irã, estão no campo daqueles que não desejam que a paz seja estabelecida, pois ela implica aceitar a existência de Israel e isso não tem relação com o tamanho do país e sim com a sua existência.

Porém, encerramos o ano com notícias positivas, que nos motivam e nos emocionam. A paz com países do mundo árabe. Paz, sim. Apesar de Israel nunca ter guerreado contra o Bahrein ou Emirados Árabes Unidos (EAU), uma verdadeira paz entre dois países árabes e Israel, seria a palavra correta a ser usada, afinal, a Liga Árabe decretou em 1967 os 3 nãos: não a paz, não ao reconhecimento e não as negociações com o Estado Judeu. Ela nunca retirou oficialmente essa declaração.

Mesmo que em 1967 os países que assinaram a paz com Israel nesse mês ainda não existissem, pois a independência dos EAU e do Bahrein se de deu em 1971, a partir do momento que entraram para a Liga Árabe, adotaram a agenda da organização. Portanto, é sim correto dizer que os países assinaram acordos de paz.

O Egito e a Jordânia, que sim guerrearam batalhas contra Israel, e assinaram acordos de paz, possuem uma relação fria, no que diz respeito a sua sociedade, e não muito “pacífica” com o Estado judeu. Não há muitas trocas acadêmicas, culturais e até mesmo o turismo é limitado. Não é muito seguro para israelenses falarem hebraico nas ruas do Cairo ou de Amã. As embaixadas de Israel nestes países são fortalezas. Em 2010, na primavera árabe no Egito, a sede diplomática israelense no Cairo foi invadida e os membros do corpo diplomático tiveram que se esconder em um quarto blindado e, durante horas, tiveram que esperar ajuda dos militares egípcios para não serem linchados por populares.

A ajuda só chegou com intermediação do então presidente Obama, após o próprio primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu ligar para o presidente americano, pedindo sua ajuda para que a crise fosse resolvida e a vida dos diplomatas israelenses fosse poupada.

Porém, as notícias que chegam hoje em dia após os acordos firmados esse semana, mostram amizades entre a população de Israel, do Bahrein e dos EAU e não apenas entre oficiais e governos. As populações estão se falando e aprendendo uma com a outra. Acordos comerciais, culturais e acadêmicos já foram assinados e, reparem, ainda não passou uma semana que os mesmos foram assinados. Imaginem em 10 anos o nível de cooperação que existirá entre eles. Isso sim, é uma verdadeira paz.

Que o ano de 5781 que se inicia hoje para o povo judeu, seja repleto de saúde, prosperidade e alegria para todo o Oriente Médio.

André Lajst é cientista político e diretor executivo da StandWthUs Brasil.

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