A prevalência de diabete em todo o mundo é alarmante e só está crescendo. No Brasil, atualmente, 12 milhões de pessoas são portadoras de diabete. A estimativa da Organização Mundial de Saúde é que, até 2030, 347 milhões de pessoas no mundo terão diabete, sendo que essa previsão pode subir para 552 milhões. Um número ainda maior de pessoas tem pré-diabete, um estado de alto risco para o desenvolvimento de diabete, definido por concentrações de glicose no sangue maiores do que o normal, mas menores que os limiares estabelecidos para diagnóstico de diabete. Existe uma projeção para 2030 de que o diabete vai ser uma das cinco principais causas de morte no mundo, o que enfatiza a importância de saúde pública, em reduzir os riscos relacionados ao diabete na população.

A mudança de estilo de vida é a pedra angular para a prevenção e tratamento do diabete, mas é necessário discutir como aplicar essas intervenções no nível de atenção primária à saúde nos países em desenvolvimento. Um considerável número de indivíduos que poderiam se beneficiar das intervenções não farmacológicas e farmacológicas para reduzir a incidência de diabete tipo 2 e de suas complicações não está alerta para a doença.

Alvos para intervenção no estilo de vida incluem uma ingestão de gordura menor do que 30% da energia diária, não mais que 10% proveniente de gordura saturada, pelo menos 15 gramas/1.000 kcal de fibra e no mínimo 30 minutos diários de atividade física moderada para alcançar uma redução de 5% do peso corporal.

A pergunta que permanece é: quantos indivíduos conseguem realmente alterar o estilo de vida para prevenir ou adiar o início do diabete? A restrição dietética e a prática de exercício são efetivas na prática clínica?

A adesão à mudança do estilo de vida varia muito entre os indivíduos, mas a variabilidade interindividual para aderir à dieta ou ao exercício varia ainda mais. Para simplificar a intervenção, é necessário saber qual o componente mais efetivo, ou o componente que é mais fácil de ser adotado pelas pessoas de alto risco.

Na literatura médica, não encontramos dados suficientes para determinar qual o melhor efeito protetor na prevenção do diabete quando se compara o aumento da atividade física ou a restrição dietética como mudanças no estilo de vida. As pessoas respondem, ou aderem, a diferentes componentes de um programa de intervenção para prevenir a progressão da doença, de acordo com a habilidade individual em realizar mudanças na dieta ou iniciar atividade física regular. O mesmo indivíduo que se sente despreparado para mudar seu plano alimentar pode responder prontamente à oportunidade de participar de grupos de caminhadas ou aulas de dança de salão, por exemplo.

O objetivo final dessas intervenções é a prevenção ou atraso do início das complicações macro e microvasculares relacionadas ao diabete, o que frequentemente leva a considerável morbidade e morte prematura.

Silmara A. Oliveira Leite, chefe da Unidade de Endocrinologia e Pesquisa Clínica do Hospital da Cruz Vermelha Brasileira/filial do Paraná, é diretora-coordenadora da Campanha Trem Azul da Saúde pela SBEM-PR.

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