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Viver bem para acompanhar filhos e netos: uma reflexão para o Dia dos Pais

No Dia dos Pais, o maior legado é cuidar da própria saúde: prevenção significa mais tempo, autonomia e presença ao lado da família. (Foto: Kampus Production/Pexels)

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O Dia dos Pais costuma despertar reflexões sobre presença, legado e tempo. Uma condição essencial para que essas histórias continuem sendo escritas é a capacidade de chegar às próximas décadas com saúde e autonomia para acompanhar o crescimento dos filhos e, mais tarde, dos netos.

Estudos recentes sobre longevidade e comportamento mostram que os homens apresentam avanços importantes em hábitos relacionados ao bem-estar, mas ainda enfrentam um desafio relevante quando o assunto é prevenção. O envelhecimento da população brasileira torna essa discussão cada vez mais relevante.

Viver mais deixou de ser o principal desafio; a prioridade passa a ser viver mais anos com saúde, autonomia e qualidade de vida

Eles praticam mais atividade física de intensidade moderada do que as mulheres (79% contra 70%), avaliam melhor a qualidade do sono (56% contra 53%) e demonstram níveis mais elevados de satisfação com a própria vida, com o lazer e consigo mesmos. Também percebem com maior leveza o processo de envelhecimento e reconhecem a contribuição da saúde mental para a longevidade.

Esse conjunto de evidências, apresentado no Indicador de Longevidade Pessoal 2025 — estudo realizado pela Bradesco Seguros com 4.400 participantes (homens e mulheres) em todo o país — revela que a discussão sobre longevidade masculina não começa do zero. Existe disposição para cuidar do corpo, preservar o bem-estar e manter uma rotina ativa. São comportamentos que ampliam as condições para envelhecer com qualidade.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que, embora 70% dos homens digam que buscam informações sobre prevenção, a maior parte ainda adota uma postura reativa diante da própria saúde. Quase dois terços (64%) só procuram atendimento médico quando surge algum incômodo ou um problema considerado grave. Além de aumentar as chances de diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e diversos tipos de câncer, condições que concentram parte expressiva da mortalidade masculina, a prevenção contribui para reduzir internações, tratamentos complexos e o impacto das doenças crônicas sobre a qualidade de vida e o sistema de saúde.

A literatura científica também reforça a importância dos vínculos familiares para um envelhecimento saudável. Um estudo sueco realizado com mais de 700 mil homens e publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, em 2017, concluiu que a paternidade está associada ao aumento da longevidade. Segundo o estudo, homens com pelo menos um filho apresentam menor risco de morte, registrando uma expectativa de vida dois anos maior aos 60 anos, em comparação aos que não têm filhos.

Com isso, o Dia dos Pais cria um ambiente favorável para essa conversa porque desloca o foco do indivíduo para aquilo que ele deseja preservar. O incentivo aos cuidados preventivos ganha outro significado quando está associado ao desejo de participar das conquistas dos filhos, celebrar novos ciclos familiares e manter a autonomia ao longo dos anos. Nesse contexto, falar de longevidade deixa de ser uma discussão sobre envelhecimento. Passa a ser uma conversa sobre permanência, presença e continuidade.

Thais Jorge é diretora da Bradesco Saúde.

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