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Famílias sem condições de gerar filhos saudáveis, capazes de receberem a educação básica da sociedade, deveriam evitar a paternidade por outros meios que não o aborto

Rio de Janeiro – Acompanhei por alto a polêmica declaração do Sérgio Cabral a respeito da relação entre explosão demográfica e a onda de violência que atravessamos. Creio que o governador não foi bem entendido, fizeram de seu comentário o ponto de partida para um tipo de eugenia semelhante à do racismo.

A posição de Sérgio não difere da pregação de diversas religiões, inclusive a católica, que combate o aborto e prega a paternidade responsável. Famílias sem condições de gerar filhos saudáveis, capazes de receberem a educação básica da sociedade, deveriam evitar a paternidade por outros meios que não o aborto.

Seria necessário um mutirão colossal na sociedade para que os casais tivessem consciência das reais condições em que vão gerar os filhos. A longo prazo, a taxa da violência diminuiria radicalmente, e a melhora não seria apenas no setor do crime, mas das relações gerais do indivíduo com a comunidade, na família, na escola, no trabalho.

A solução do aborto, além de envolver uma discussão moral, social e religiosa, está longe de ser uma panacéia salvadora que livraria a sociedade de vários males, o da violência e o da miséria.

Já contei há tempo, neste mesmo espaço, o caso de uma mulher na Alemanha, no século 18. Com mais de 52 anos, não tinha idade segura para engravidar, mesmo assim engravidou. Era pobre, sofria de tuberculose, tinha hemoptises diárias, fora internada diversas vezes em asilos por distúrbios psiquiátricos.

Um médico examinou-a e solicitou ao Departamento de Saúde Pública de Bonn a licença para interromper a gravidez, que entre outras coisas, colocava em risco a vida da mãe e do filho.

A licença foi negada. O filho nasceu. Era desconjuntado, surdo, anti-social. Seu nome: Ludwig von Beethoven.

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