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Rio de Janeiro – Consta que Diógenes, com o sol mediterrâneo lambendo forte os mármores clássicos de Atenas, saía do tonel em que vivia e, de lanterna acesa, andava pelas ruas espantando a todos que o julgavam louco. Com tanto e tamanho sol, a luz de uma lanterna era, além de um pleonasmo, a prova de uma demência em progresso.

Perguntaram ao filósofo o que ele fazia com aquela lanterna cuja luz nem iluminar podia o que já estava suficientemente iluminado. Diógenes respondeu que estava procurando um homem. Consta também que era visto pedindo esmola às estátuas que ia encontrando pelo caminho, aquelas estátuas de olhos vazados, que nada enxergavam e nada escutavam, modelos de beleza e insensibilidade às súplicas humanas. Por essas e outras, além de demente foi considerado cínico.

Se vivesse no Brasil de hoje, não seria nem demente nem cínico, e talvez nem filósofo pudesse ser.

De suas manias antigas só manteria o domicílio dentro um tonel, sem pagar IPTU nem taxa de incêndio e condomínio. Não teria estátuas pelas ruas para pedir esmola. Com muita sorte, poderia habilitar-se a um dos programas do governo, ao Fome Zero, por exemplo, se é que ainda existe este programa inaugural do primeiro mandato do presidente Lula – a quem abracei cordialmente na ABL na semana passada.

Restaria a Diógenes andar de lanterna acesa pelos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território nacional, procurando aquilo que considerasse "um homem". Ele ignoraria aquela constatação atribuída a Oswaldo Aranha, segundo a qual o Brasil é um deserto de homens e de idéias.

Desanimado, acabaria comprando a próxima e suculenta edição da "Playboy" para ver a Mônica Veloso pelada. E compreenderia por que nos faltam homens e idéias.

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