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 | Yasuyoshi Chiba/AFP
| Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Coisa que sempre irrita as vítimas de crimes é ver que os que os perpetraram raramente são considerados culpados de tudo o que fizeram. Assim é o nosso sistema judiciário. Pois no caso de Lula, que para desgosto de sua claque paga está finalmente às voltas com a Justiça, chega a ser irrisória a acusação. Ele foi – e é – o comandante de um esquema visando perpetuar-se no poder e instaurar um regime ditatorial semelhante ao da Venezuela. Seu esquema estendeu-se por vários países, apoiando ditadores amigos com dinheiro público brasileiro e ganhando em troca apoio de uma rede revolucionária “bolivariana”.

O que finalmente o está levando ao banco dos réus, contudo, é verdadeiro troco de pinga diante da magnitude do esquema de corrupção por ele comandado: um apartamento, um sítio, coisas de alguns poucos milhões de reais num rombo que se estima possa chegar aos trilhões. É como Al Capone com o imposto de renda: o que servir serviu. Na verdade, mais que uma ou outra condenação, é a limpeza da política brasileira que está se tornando possível graças à Lava Jato que conta para o futuro do Brasil. Nosso país já sofreu demais nas mãos de aventureiros, de revolucionários, de agitadores e populistas profissionais que só sabem ganhar as manchetes de jornal e os votos dos incautos.

Mais que uma ou outra condenação, é a limpeza da política brasileira que está se tornando possível graças à Lava Jato

O esquema de poder montado pelo PT não pode ser confundido com as demais propinas recebidas por membros de outros partidos ou até mesmo com as “mesadas” pagas a eles pelo PT; seria como confundir um exército invasor e um bando de turistas chegando da Argentina para tomar banho de mar no verão. Os demais corruptos queriam apenas locupletar-se; o PT queria dominar o país e mesmo a América Latina.

A máquina de distribuir mortadelas para corruptos – dos bobos acampados aqui e ali para tentar politizar o depoimento do comandante aos deputados e senadores pegos com a boca na botija – não era, como no caso de Collor, apenas um esquema rápido; ela se queria permanente, queria-se veículo de uma revolução contra o povo e contra a democracia. A democracia foi negada pelo simples expediente de comprar os mandatários, a caminho de uma solução mais duradoura. Agora mesmo, na Venezuela, o mesmo movimento revolucionário está querendo escrever uma nova Constituição, em que não haja lugar para a oposição. Tendo secado a mesada lulista, eles e outros dependentes estão se vendo em dificuldades.

Leia também:Lula, o depoimento e as narrativas (editorial de 10 de maio de 2017)

O depoimento de Lula, visto dentro deste quadro geopolítico, é muito mais que uma inquirição acerca de um apartamento vazio; é o início do fim do desmanche de uma estrutura viciosa de poder que por pouco não pôs a perder as liberdades democráticas conquistadas a duras penas na América Latina após o fim dos governos militares.

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