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A avaliação de risco internacional do Brasil continua positiva, garantiu a diretora de uma das principais agências de "rating" em entrevista a este jornal durante visita a Curitiba. A solidez brasileira, apesar da crise política, decorre do bom desempenho do país, que já acumulou um superávit relativo a mais de 90% das necessidades anuais de financiamento do governo, tem saldo comercial próximo dos 40 bilhões de dólares e diversificou seus parceiros comerciais, com mercados de exportação, volume de produção e investimentos que nos asseguram a 14.ª posição entre as economias do mundo.

Com esses bons indicadores, o Brasil vem conseguindo sinal positivo em meio às turbulências do momento, obtendo um seguro contra riscos especulativos, alta do petróleo ou desaceleração abrupta dos principais países. Porém, apesar desses dados, as evidências são de que a economia brasileira não conseguirá repetir os 4,9% de crescimento de 2004. De fato, num levantamento do FMI, elencando os países emergentes mais representativos desde 1980, nos últimos 25 anos o Brasil ficou entre os lanterninhas do crescimento: nosso PIB cresceu no período 71,6% e o produto "per capita", apenas 17%. Para comparação, a China avançou 862% no PIB global e 627% no produto per capita; a Coréia do Sul, respectivamente, 422% e 307%.

O professor norte-americano Dani Rodrik comparou dois países representativos do conjunto: no bloco latino-americano, o México e, pelos asiáticos, o Vietnã do Sul. Enquanto o primeiro – mesmo contando com acesso preferencial ao mercado dos Estados Unidos, ajuda externa, etc. – avançou 87%, os vietnamitas cresceram 420% – apesar de afetados por restrições em função do seu passado de guerra contra a potência ocidental. Rodrik conclui que o importante é aplicar esforço interno, com uma estratégia de apoio a setores competitivos, formação de capital via poupança própria, trabalho duro e ênfase na educação – regra aplicável aos latino-americanos às voltas com dificuldades para cumprirem as metas da ONU para o milênio (de crescimento e bem-estar para suas populações).

O colunista Clóvis Rossi assinala, como diferença entre os asiáticos e os latino-americanos que, enquanto aqueles cuidaram de manter seus juros internos baixos, um câmbio que protege a capacidade de competição da moeda nacional para favorecer exportações e adotaram uma política industrial inteligente, nossos governantes adotaram modelos que se revelaram pouco efetivos. Essa também foi a conclusão de um painel de economistas reunido no Rio pelo BNDES: modelos errados travam em vez de impulsionar o crescimento. O professor Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas, vai direto ao ponto: "Em vez de ter um projeto nacional, acreditamos em recursos externos e ainda agora continuamos privilegiando o setor financeiro em prejuízo da produção".

De fato, somos o quarto maior pagador mundial de juros que, na casa de 14% reais, assustaram outro "expert" norte-americano, o professor Paul Krugman, para quem os juros básicos não poderiam superar 8% para impulsionar um crescimento sustentado. O problema não é deste governo, mas a insistência no modelo de juros altos e câmbio travado resulta numa expansão errática: só setores de exportação exibem dinamismo, enquanto o mercado de bens internos claudica e o emprego não aumenta. Mesmo áreas vinculadas ao mercado externo correm risco devido à falta de investimentos em infra-estrutura: o setor de carnes teme inspeções que podem cancelar licenças de exportação por falta de controle sanitário; as estradas malconservadas aumentam custos de acesso aos portos e a falta de inovação nos condena a exportar "commodities" de baixo valor relativo.

Em contraste com essa estratégia defensiva dos latino-americanos, o noticiário mostra uma China capaz de tornar palpáveis os frutos de uma riqueza que cresceu 12 vezes nos últimos 25 anos: crescentes segmentos de sua vasta população ganharam capacidade de consumo – de alimentos a bens de consumo – as cidades se modernizam e o gigante levanta seguidores por toda a Ásia.

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