i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Editorial

A vitória da esquerda no México

Para o bem dos mexicanos, que López Obrador não siga a mesma trilha de Lula, com quem é frequentemente comparado

  • PorGazeta do Povo
  • 03/07/2018 00:01
 | Pedro Pardo/AFP
| Foto: Pedro Pardo/AFP

Nas eleições presidenciais mexicanas do último domingo, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador não deixou dúvidas quanto à preferência do eleitorado. Em um sistema de turno único, no qual nem sempre o vencedor tem o respaldo de parcela significativa dos eleitores, López Obrador conseguiu 53,27% dos votos. O México, assim, faz movimento diverso daquele feito por vários outros países latino-americanos no passado recente, como Argentina, Chile e Colômbia, que elegeram candidatos mais identificados com a centro-direita.

A vitória de López Obrador representou a ruptura com o que era praticamente um monopólio do Partido Revolucionário Institucional (PRI) no comando do país. Desde 1934, a legenda tinha feito todos os presidentes mexicanos, à exceção do período entre 2000 e 2012, quando Vicente Fox e Felipe Calderón foram eleitos pelo Partido da Ação Nacional (PAN). O partido de López Obrador, o Movimento pela Regeneração Nacional (Morena), foi criado em 2012 e é um dos integrantes mexicanos do Foro de São Paulo, a organização que reúne partidos de esquerda e extrema-esquerda na América Latina, o que por si só já é motivo de preocupação a respeito dos rumos que o país tomará daqui em diante, até porque o Morena também deve ter maioria absoluta nas duas casas do Congresso mexicano.

A vitória, no entanto, deve ser atribuída menos às posições políticas do eleito que aos problemas de seus oponentes. Muito do voto em López Obrador teve um caráter de protesto contra a corrupção e a violência – que mostrou as caras também durante a campanha, com o assassinato de 48 pré-candidatos ou candidatos. O esquerdista apresentou-se como alguém distante do establishment político, apesar de uma carreira longa que inclui um mandato como prefeito da Cidade do México. Mas, para combater a violência, López Obrador propõe a rejeição à “guerra às drogas” e, quando lançou sua pré-candidatura, chegou a falar em anistia para traficantes que concordassem com um programa de reabilitação.

López Obrador venceu menos por suas posições políticas que pelos problemas de seus adversários

É verdade que López Obrador já foi bem mais radical que a imagem passada hoje. Em 2006, quando perdeu pela primeira vez a eleição presidencial, por uma margem estreitíssima de votos, recusou-se a reconhecer a vitória de Calderón, estimulando o bloqueio de ruas e estradas, invasão de praças de pedágio e a interrupção de atividades de bancos estrangeiros. Meses depois, seus apoiadores o proclamaram “presidente legítimo”, com direito a cerimônia de posse, um teatrinho do qual López Obrador participou com gosto, mas que não tinha como durar muito.

O programa do presidente eleito inclui a reversão de algumas medidas implementadas pelo atual presidente, Enrique Peña Nieto, do PRI, como a participação da iniciativa privada no setor energético. Além disso, López Obrador ainda disse querer tabelamento de preços de insumos agrícolas e dobrar aposentadorias em todo o país, e o salário mínimo nas zonas de fronteira. Também é entusiasta de um certo modelo de autossuficiência que consiste em produzir no próprio país toda a comida e toda a gasolina consumidas no país. Este último ponto recorda o discurso de Cristina Kirchner, para quem a Argentina não deveria importar “nem um parafuso sequer”, e cujo resultado foi guerra comercial e desabastecimento.

Leia também: O Chile elege a centro-direita (editorial de 19 de dezembro de 2017)

Leia também: O amadurecimento democrático da Colômbia (artigo de Ricardo Vélez Rodríguez, publicado em 21 de junho de 2018)

Por outro lado, López Obrador tem feito questão de dizer que, sob sua gestão, não haveria nenhum choque econômico. Antigo crítico do Nafta, o acordo de livre comércio com Estados Unidos e Canadá, o presidente eleito agora promete mantê-lo – a grande ameaça ao acordo tem vindo do vizinho Donald Trump. Responsabilidade fiscal e rejeição a aumentos de impostos são outros pontos que estiveram muito presentes na boca de López Obrador.

Todos esses acenos ao mercado financeiro evocam comparações com a Carta ao Povo Brasileiro, publicada por Lula em 2002. No Brasil, todos sabemos o que a eleição de Lula representou: a instalação dos maiores esquemas de corrupção de que se tem notícia no país e a fidelidade ao tripé macroeconômico de seu antecessor apenas enquanto isso interessou, substituída por uma “nova matriz econômica” baseada no estímulo ao consumo e na gastança irresponsável que levaram à maior recessão da história do Brasil. Para o bem dos mexicanos, que López Obrador não siga a mesma trilha. Ele só conseguirá conduzir o México a um caminho de desenvolvimento se romper com seu passado de esquerda e resistir à tentação populista de um nacionalismo protecionista.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.