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Editorial

O agronegócio brasileiro e a questão alimentar

  • PorGazeta do Povo
  • 05/11/2020 21:15
EXPEDIÇÃO SAFRA 2019 – URUGUAI – COLHEITA DE SOJA – FOTO: MICHEL WILLIAN/GAZETA DO POVO – 12.04.2019
EXPEDIÇÃO SAFRA 2019 – URUGUAI – COLHEITA DE SOJA – FOTO: MICHEL WILLIAN/GAZETA DO POVO – 12.04.2019| Foto: Michel Willian/

Quando o mundo atingiu 1 bilhão de habitantes, em 1830, houve amplo debate sobre a capacidade mundial de produzir alimentos para uma população sempre crescente. As discussões foram estimuladas por uma obra do economista inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834) intitulada Ensaio sobre o Princípio da População, publicada em 1798, na qual ele analisava os problemas ligados ao crescimento demográfico. A teoria malthusiana, como a obra passou a ser conhecida, tinha por base a constatação de que a população cresce em progressão geométrica, dada a facilidade de reprodução humana, enquanto a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, pois depende da terra, insumos, tecnologia, máquinas e trabalho.

A expressão matemática na formulação de Malthus parecia assustar, pois o mundo, que levara 1.830 anos para chegar ao primeiro bilhão de habitantes, dobrou a população em apenas 100 anos (2 bilhões em 1930); em apenas mais 30 anos cresceu outro bilhão (3 bilhões de habitantes em 1960); na sequência foram apenas 15 anos para a população aumentar mais 1 bilhão (atingiu 4 bilhões em 1975); neste fim de 2020, o planeta está com 7,8 bilhões de habitantes, caminhando para, conforme previsões oficiais, chegar em torno de 9,5 bilhões em 2050. No todo, em apenas 220 anos – de 1830 a 2050 – a população terá saído de 1 bilhão para 9,5 bilhões, e isso revela a progressão geométrica de Malthus.

Qualquer que seja o rumo do crescimento econômico e do aumento populacional, a produção alimentícia no mundo terá de ser aumentada para atender à demanda global, oferecendo inúmeras oportunidades ao Brasil

O ponto essencial da pesquisa e da obra de Malthus é a constatação de que a população cresceria em velocidade muito maior que a velocidade do aumento da produção de alimentos. A avaliação da obra de um cientista ou pensador em geral deve levar em conta o contexto histórico no qual ela foi escrita e as condições vigentes no momento da pesquisa e suas conclusões. Uma obra ou uma ideia, mesmo quando pareça absurda, produz o efeito benéfico de levar a humanidade a debater e examinar o problema, mesmo porque não se sabe o quanto determinada previsão pessimista deixa de ocorrer justamente por decorrência de sua própria elaboração e publicação, que acabam levando a correções de rumo executadas pelo fato de o assunto ter sido tratado.

A análise e a previsão de Malthus foram publicadas numa época em que os métodos de produção rural eram primários e as tecnologias eram praticamente primitivas. À época, não se sabia que nas décadas seguintes o mundo faria uma revolução tecnológica na agricultura, de forma a obter o enorme ganho de produtividade que a agricultura acabou por alcançar dali em diante. O exponencial crescimento da população (que estava acontecendo) e os dados reais daquele momento justificavam a previsão alarmista do famoso economista.

A teoria de Malthus e seus alertas de que a população iria crescer tanto a ponto de ser impossível produzir alimentos em quantidades suficientes para todas as pessoas no planeta ressurgiram nos anos 1960 em face da explosão demográfica em andamento. O enorme aumento populacional colocou de volta as ideias de Malthus, que, com as devidas adaptações, foram trazidas à discussão sob o título de teoria neomalthusiana, a qual passou a incorporar a preocupação com o crescimento populacional nos países do Terceiro Mundo, seguido de pobreza e desemprego.

A tecnologia e a revolução nos métodos de produção de alimentos no mundo permitiram que o fantasma malthusiano ficasse um tanto esquecido, mas isso não significa que não haja razões para preocupação. A se concretizar a previsão de que a população chegará a 9,5 bilhões em 2050, haverá 1,7 bilhão de pessoas a mais que hoje; e, segundo alguns organismos internacionais, neste momento há pelo menos 730 milhões de pessoas com insuficiência alimentar no mundo e 2,8 bilhões de pobres. Caso o mundo consiga prosperar e reduzir a pobreza, o primeiro item de consumo a aumentar para essas pessoas é a alimentação, ainda que elas não padeçam de insuficiência alimentar grave.

Dentro desse quadro, o agronegócio brasileiro tem importante participação por ser um dos países do mundo que mais contribuíram e contribuem para o abastecimento de produtos alimentícios, por ter grande extensão territorial e por ser uma das regiões com maiores perspectivas de expansão da área plantada e da produção. Apesar da posição relevante do Brasil no comércio internacional de grãos e outros alimentos, o país teria muito a ganhar, sobretudo em termos de melhoria da renda per capita nacional, se avançasse também na industrialização de suas matérias-primas e incorporasse etapas adicionais no processo de transformação, a fim de aumentar o valor agregado dos produtos exportados. Qualquer que seja o rumo do crescimento econômico e do aumento populacional, a produção alimentícia no mundo terá de ser aumentada para atender à demanda global por alimentos, que seguirá crescendo.

Esse panorama deixa recados importantes para o governo e a sociedade brasileira: além da expansão da área plantada, do progresso tecnológico e do aumento da produtividade agropecuária, que o setor deve continuar conquistando, o país ainda não extirpou a ameaça do “custo Brasil”, principalmente em função de insuficiência de investimentos em infraestrutura de transportes, portos, armazenagem e energia, sem esquecer também da influência sobre a capacidade competitiva, exercida pela taxa de câmbio (que neste momento está favorável ao exportador), pela taxa de juros para o produtor e pela carga tributária. Se for competente, no âmbito estatal e no âmbito privado, o Brasil poderá aproveitar o cenário de crescimento populacional, redução da pobreza e necessidade mundial de aumentar a produção de alimentos, colocando-o a favor do projeto de fazer a nação subir para um patamar superior de crescimento da economia e desenvolvimento social.

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Comentários [ 6 ]

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    paulo cesar de castro silveira

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    Malthus estava e continua certo.

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  • C

    Carlos Eduardo

    ± 2 dias

    E nesse contexto todo, as pessoas que produzem alimentos em larga escala são tratadas como bandidos.

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  • D

    Dario de Araújo Dafico

    ± 2 dias

    Se o Brasil não tomar as medidas necessárias nos tornaremos colônia da China. Com uma pauta de exportações para aquele país aproximando-se de 30 % ficamos dependentes do gigante. De que adianta a independência do Banco Central se a China, com pequenos movimentos especulativos de compra ou bloqueio, pode causar inflação e mudanças bruscas no câmbio?! E se eles forem donos de fazendas, empresas agrícolas, portos, etc., como já está acontecendo?! Como podemos perder nosso país a troco de guarda-chuvas e espelhinhos?!

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    3 Respostas
    • S

      Sísifo

      ± 2 dias

      O que mais me surpreende é que quase ninguém menciona a necessidade de se controlar a população. Os mais concientes já o fazem. Os mais irresponsáveis não se impõe limites. E ainda acham que seus rebentos( inocentes é claro ) tem o direito de serem cuidados, alimentados, educados, empregados ou sustentados pelo estado!

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    • E

      Edgard de Castro Filho

      ± 2 dias

      Precisamos, necessitamos de agregar valores aos nossos agronegócios. Beneficiar mais alguns produtos agrícolas e minerais (matéria prima). É onde de ganha mais. A Alemanha importa o dobro de grãos de café que sua população consumo, beneficia o restante e lucra muito com isso!

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    • N

      Nm

      ± 2 dias

      a China torna-se o grande dependente do Brasil porque precisa de alimentos e de minérios. quanto ao Gigantismo Chines Lembro que o Império Romano ruiu. O império romano era dependente do trigo produzido no Egito.

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