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| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Em outubro deste ano, o Brasil realiza eleições para presidente, governadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores. Ficam de fora apenas as eleições municipais para prefeito e vereadores. Anos eleitorais exacerbam as discussões a respeito do efeito das eleições sobre a economia nacional. Há quem afirme ser a eleição em si mesma um fator de estímulo ao aumento da produção, em razão dos gastos necessários para as campanhas e para a operação de todo o processo até seu resultado. Isso pode ter certa dose de verdade, porém, não há mensurações capazes de identificar corretamente o tamanho do impacto do processo eleitoral sobre o Produto Interno Bruto (PIB).

Depois de amargar forte queda do produto, a economia ensaiou tímida recuperação em 2017, com o PIB crescendo 1%. Essa taxa é considerada baixa, mas outros indicadores importantes ficaram em bons níveis. A inflação foi bastante baixa (2,95%), a taxa de juros real na faixa dos 3%, a reforma trabalhista entrou em vigor, o presidente da República enviou para o Congresso um projeto de reforma da previdência, isso e mais algumas medidas indicavam que o PIB de 2018 deveria crescer em torno de 3%. Analistas nacionais e estrangeiros começaram o ano de 2018 acreditando nessas previsões, o que foi suficiente para espalhar certo otimismo com a economia brasileira.

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Esse cenário trouxe ânimo entre empresários e trabalhadores, em primeiro lugar pela necessidade de o país recuperar o produto perdido com os anos de recessão e, em segundo lugar, porque o desemprego pegara mais de 12 milhões de pessoas ao fim do ano passado. Pelo lado dos trabalhadores, as preocupações manifestadas quanto à recuperação do nível de emprego decorrem do fato de que no mundo moderno, em que a tecnologia avança a passos acelerados, é possível haver crescimento do produto sem a equivalente geração de empregos. A genialidade humana, que é capaz de inventar as mais fantásticas máquinas e soluções técnicas inteligentes para elevar a produção, contribui para promover o crescimento sem necessariamente criar vagas de trabalho na mesma proporção.

A redução da previsão quanto ao crescimento econômico começa a fazer sentido, infelizmente

Com esse quadro ocorrendo em um contexto no qual a economia brasileira padece de elevada pobreza, com renda por habitante menor que um quinto da renda da renda nos Estados Unidos, volta a apreensão com a redução das previsões de crescimento do PIB. O problema dos anos eleitorais é que, nos meses que antecedem às eleições, empresários, investidores e empreendedores seguram suas decisões de investimento à espera do resultado que define quem governará o país. Não sabendo sequer quem são os candidatos com chances reais – como acontece agora –, poucos se arriscam a dizer o rumo das políticas econômicas, das leis e das regras para os investimentos privados nacionais e estrangeiros. O que prevalece é a incerteza.

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Tudo isso, acrescido dos problemas envolvendo o governo Temer com denúncias de corrupção, fez as incertezas crescerem, e a consequência é que, conforme as últimas pesquisas indicam, a euforia deu lugar a certo receio, e o desemprego já atinge 13,7 milhões de trabalhadores. Como a Copa do Mundo de Futebol e as eleições acabarão fazendo que decisões relevantes em termos de leis e de políticas públicas não sejam levadas adiante nos próximos seis meses, a redução da previsão quanto ao crescimento econômico começa a fazer sentido, infelizmente. O governo não tem mais condições políticas de aprovar qualquer coisa polêmica no Congresso e, no máximo, passará algumas medidas óbvias e de baixo potencial de influência nas eleições. Embora desacelerando, o crescimento da população prossegue e, na melhor das hipóteses, o país encerrará 2018 com 1,3 milhão de habitantes a mais em relação ao fim de 2017. A única forma de evitar que a pobreza aumente é a volta do crescimento econômico com urgência e a taxas elevadas.

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