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Editorial

Bolsonaro, as expectativas e a responsabilidade

Desejar que Bolsonaro faça um bom governo não é tanto uma questão de preferência partidária, mas de constatar que o brasileiro não aguenta mais crise, desemprego e corrupção

  • Gazeta do Povo
 | Sérgio Lima/AFP
Sérgio Lima/AFP
 
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A posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, neste 1.º de janeiro de 2019, representa uma mudança em muitos aspectos na maneira como o país é conduzido. Por meio do voto, o brasileiro escolheu um candidato e uma plataforma que respeitam os valores morais da maioria da população, sem o afã de engenharia social que tanto marcou governos anteriores; um programa econômico de redução do tamanho do Estado e crescente protagonismo da iniciativa privada; um discurso forte de combate à criminalidade, um dos grandes problemas do Brasil contemporâneo, contra a ideologia que pinta bandidos apenas como “vítimas da sociedade capitalista desigual”. Bolsonaro assume o Planalto cercado de muita expectativa, que a maioria dos brasileiros espera ver transformada em realidade.

Desejar que Bolsonaro faça um bom governo não é tanto uma questão de preferência partidária – esta Gazeta do Povo, em outubro de 2014, desejou o mesmo à então presidente reeleita Dilma Rousseff, “por querer o bem do nosso país e por acreditar que as pessoas podem mudar para melhor” –, mas de constatar que o brasileiro não tem mais como suportar outros quatro anos de crise, de estagnação, de desemprego. Como lembramos dias atrás, o auge do descalabro causado pela gestão petista parece ter ficado para trás durante o governo de Michel Temer, mas ainda há muitos desafios econômicos. Os principais são a superação do desemprego e a realização das reformas essenciais, sem as quais corremos o risco de ver o retorno da crise fiscal, amplificando para o nível nacional aquilo que alguns estados já viveram recentemente.

A sociedade está diante de uma chance de repensar seu próprio papel

Também no campo da ética na política o brasileiro anseia por uma mudança radical. Já houve quem dissesse que o brasileiro estava “cansado” de operações como a Lava Jato, que parecem nunca ter fim, dada a complexidade e as ramificações do esquema montado para pilhar as estatais. Mas não é isso que cansa o cidadão. Pelo contrário: o país quer, sim, conhecer em detalhes como o Estado brasileiro foi saqueado no passado recente, com bilhões de reais sendo desviados com o propósito de fortalecer um projeto de poder e enfraquecer a democracia. Quer, também, que os responsáveis por isso continuem sendo punidos. Mas uma das esperanças que o eleitor depositou em Bolsonaro foi a de que esses dias tenham ficado para trás. Estamos mais que dispostos a continuar escavando os escândalos do passado atrás da verdade; o que o povo brasileiro não aceitará é a renovação desses escândalos por parte do grupo que acaba de assumir o poder.

Leia também: Bolsonaro e os desejos do eleitor (editorial de 29 de outubro de 2018)

Leia também: Uma chance para a pauta liberal (editorial de 4 de novembro de 2018)

Mas não podemos resumir a novidade trazida pelo governo Bolsonaro apenas a uma nova política econômica e ao desejo de um governo honesto. Por tudo o que foi debatido durante a campanha, e por vários dos nomes escolhidos para compor o primeiro escalão, a sociedade está diante de uma chance de repensar seu próprio papel. Ela pode se tornar a autêntica protagonista que deve ser quando se entende de forma adequada a relação entre indivíduos, famílias, grupos de cidadãos organizados e o poder público. Se este governo tornar realidade sua intenção de reverter a burocracia e todas as demais amarras que impedem uma sociedade de transformar todo o seu potencial em realidade, quando o brasileiro finalmente perceber que seu destino está nas suas mãos, e não nas do Estado, os efeitos irão muito além do crescimento econômico: teremos uma multidão de cidadãos dispostos a fazer, em vez de esperar, o melhor.

A responsabilidade que o novo presidente tem é tão grande quanto as expectativas que desperta. O brasileiro que depositou nele seu voto deseja, no mínimo, ver o Brasil livre das práticas que marcaram mais de uma década de governo petista. Mas também quer mais: um país onde se respeite a vida em todas as suas etapas, onde a educação não seja guiada por ideologias daninhas ou por ou engenharias sociais, onde o empreendedor possa trabalhar sem ter suas mãos atadas pelo Estado. Apesar das enormes dificuldades que enfrentarão, que Bolsonaro e sua equipe tenham a coragem de não se desviar deste rumo traçado e que só fará bem ao país.

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