
Uma renovação poderosa das lideranças políticas do Brasil floresceu de norte a sul. A conclusão do primeiro turno das eleições nos permite esperar uma nova etapa de nossa história. Falta ainda uma batalha decisiva: a escolha do presidente da República, com o segundo turno marcado para o dia 25; mesmo assim, o que já foi alcançado, com a eleição de uma maioria robusta de senadores e deputados federais comprometidos com o fim dos abusos do Supremo Tribunal Federal, permite antever tempos mais promissores. Este movimento sólido e consistente, de grande parte dos brasileiros, de claro repúdio à opressão e à destruição dos valores de nossa sociedade é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.
Comemoração, portanto, mas com prudência e atenção, pois os dias que antecederam o primeiro turno, com intervenções autoritárias e sem precedentes de ministros do STF e do TSE nas eleições, só mostram que o consórcio de autoridades, congregando principalmente membros do Judiciário e membros do atual governo petista, estava disposto a tudo para impedir uma renovação da política nacional – e nada indica que ele tenha arrefecido nessa disposição, especialmente depois dos resultados do dia 4. Os autoritários saem enfraquecidos, sem dúvida, mas não é o momento de a sociedade baixar a guarda ou reduzir a atenção. A situação que vivemos hoje só pôde ser construída graças a anos de omissão e conivência – e elas nunca são uma escolha razoável.
O consórcio de autoridades formado por membros do STF e do governo segue disposto a tudo para impedir uma renovação da política nacional
Cada voto importa, e os verdadeiros democratas não podem esmorecer no esforço de despertar a consciência do maior número possível de pessoas. Esta Gazeta do Povo já afirmou, na semana passada, e volta a fazê-lo: ninguém, seja de direita, de centro ou de esquerda, deveria considerar o voto no PT. Não se trata de visão de mundo ou de convicções mais à esquerda ou mais à direita, mas do retorno à normalidade democrática e ao equilíbrio de poderes, vergonhosamente destruídos por Lula, em parceria com o STF. Apesar da mudança de ares no Senado, uma reeleição do atual presidente pode dificultar e retardar o processo de normalização, e não lhe faltam meios para conseguir uma cristalização dos abusos que todos temos testemunhado.
E não se trata apenas de derrotar o petismo, mas também de impedir uma deterioração ainda maior nessas três semanas que separam os dois turnos de votação. Bons analistas têm afirmado que os ministros do STF estão no modo sobrevivência e, apesar de alguns acenos recentes, podem perder o restante do pudor que porventura ainda lhes reste: seriam capazes de qualquer atropelo ao direito se vislumbrassem a chance de se manter no poder com os privilégios que acumularam. É muito possível que continuem assim neste período que vai até o segundo turno, e mesmo depois.
Isso significa, sobretudo, a necessidade de mobilização. Todos os brasileiros decentes, todas as entidades decentes deste país não podem se omitir e precisam estar prontos para se manifestar, em uma reação rápida, no caso de se vislumbrar qualquer abuso, a exemplo de decisões limitando críticas de Flávio Bolsonaro a Lula e liberando o inverso, ou qualquer tipo de argumentação espúria e ridícula, que coloque em dúvida a validade das eleições com a desculpa de uma suposta influência estrangeira. Já vimos ações parecidas antes do primeiro turno, a exemplo do vaivém de decisões judiciais envolvendo fake news sobre Nossa Senhora Aparecida. Qualquer novo abuso precisa ser condenado e anulado no nascedouro.
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Um exemplo importante veio do Paraná, onde inúmeras entidades muito representativas do estado gravaram um vídeo, solicitando ao TSE que preservasse a integridade do voto dos paranaenses na controvérsia envolvendo a elegibilidade de Deltan Dallagnol, candidato ao Senado. Esse voto seria inevitavelmente jogado no lixo caso o ex-procurador da Lava Jato fosse declarado inelegível horas antes da eleição – como de fato ocorreu –, em um claro movimento de vingança e eliminação de um claro paladino da liberdade. Sabe-se que o vídeo chegou a alguns dos ministros; e sabemos que a decisão certa veio, na madrugada do domingo. Este caso mostra que a mobilização não é inútil e sua força não pode ser subestimada – e neste caso específico é fundamental que ela continue, pois ainda haverá um julgamento no plenário do TSE.
A Gazeta do Povo continuará cobrando a abertura da investigação sobre Alexandre de Moraes; continuará pedindo coragem aos atuais senadores, para que dobrem Davi Alcolumbre e consiga a abertura do processo de impeachment de Moraes ainda nesta legislatura; continuará atenta à destruição das contas públicas do país nesses últimos meses de governo; e começará, assim que a eleição se definir, a ajudar a jogar luz sobre as grandes propostas que podem levar o Brasil a ser, enfim, um país decente, rico e seguro. Um país cheio de vitalidade, de vibração, cheio de paixão pelo que é nobre e bom e profundamente democrático.
A reconstrução não será rápida. Os intocáveis, os ministros do STF que se apropriaram do poder que pertence ao povo, e todos que atuam sob sua influência, vandalizaram instituições e princípios fundamentais para o bom funcionamento de uma sociedade: a liberdade de expressão, o devido processo legal, o equilíbrio de poderes, o respeito pelas regras do jogo. Não será fácil devolvê-los ao estado anterior, pois já são dez anos de destruição. Pode levar tempo, mas este esforço é a prioridade nacional. Trata-se da pré-condição mesma da vida em sociedade; da pré-condição da democracia; da pré-condição do progresso, e a perspectiva de retomamos o bom caminho deve nos animar, pois teremos muito a fazer quando nos livrarmos do entulho autoritário que o Judiciário e o Executivo atuais espalharam pelo Brasil.



