Fábrica de fogões Atlas, em Pato Branco
Entre as cinco áreas do Caged, indústria teve o melhor resultado na geração de emprego em janeiro de 2021.| Foto:

O mercado de trabalho formal registrou o melhor mês de janeiro desde a criação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 1992. Mesmo já registrando uma aceleração nos casos de Covid-19, janeiro de 2021 terminou com a criação de 260 mil postos de trabalho com carteira assinada, dando continuidade à curva ascendente iniciada em julho do ano passado e interrompida apenas em dezembro, que tradicionalmente tem mais demissões que contratações. É um número que precisa ser celebrado, não só pelo dado absoluto, mas também por alguns recortes bastante positivos.

Todos os cinco grandes setores da economia analisados no Caged tiveram saldo positivo, liderados pela indústria, com 90,4 mil postos de trabalho criados, seguida pelo ramo de serviços, com 83,7 mil novas vagas. Da mesma forma, todas as cinco regiões do país também criaram empregos – de todas as unidades da Federação, apenas Alagoas, Paraíba e Rio de Janeiro tiveram mais demissões que contratações, e mesmo assim o pior resultado ficou em menos de 200 vagas fechadas.

A porta de saída definitiva, que permitirá à economia avançar sem o medo de novos solavancos causados pelo coronavírus, é a vacinação em massa, inclusive da força de trabalho

Com o dado de janeiro, o país tem 39,6 milhões de brasileiros trabalhando com carteira assinada, número maior até mesmo que nos dois primeiros meses de 2020, quando o coronavírus ainda não havia chegado para destruir a atividade econômica. O ministro Paulo Guedes voltou a lembrar – como tem feito ao longo de todos esses meses – o papel do Programa de Manutenção do Emprego (BEm), que permitiu a continuação do vínculo empregatício por meio de acordos de redução de trabalho e jornada, ou suspensão temporária do contrato de trabalho, com o pagamento de uma compensação por parte do governo. Foi um programa abrangente – quase 10 milhões de trabalhadores fizeram acordos – e relativamente barato, em comparação com outros gastos ligados à pandemia, custando R$ 33,7 bilhões em 2020.

O sucesso do BEm deve levar à sua reedição – uma medida necessária, já que o país está às voltas com um cenário ainda pior que o de março de 2020 em relação à pandemia, com mais casos e mortes, levando várias cidades e estados a adotar novas medidas de restrição aos negócios. Desta vez, no entanto, a equipe econômica quer bancar o benefício com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, que também custeia o seguro-desemprego, e é justamente nas regras deste benefício que o governo deseja mexer, com uma redução gradual nas parcelas pagas a quem perder o emprego – uma escolha bastante infeliz, que prejudica muito aqueles que acabarem desempregados e levarem mais tempo para voltarem ao mercado de trabalho. Uma nova rodada do programa é bem-vinda, mas não pode ser feita à custa daqueles que se tornarão mais vulneráveis economicamente neste momento.

O momento, no entanto, ainda pede muita cautela. Os efeitos das novas restrições ao funcionamento dos negócios ainda não apareceram nas estatísticas, e a versão 2021 do BEm não chegou a tempo de salvar esses empregos eventualmente perdidos. O ano passado mostrou que bastam dois meses de pandemia para colocar a perder todo um processo de recuperação econômica. Como Guedes vem lembrando em várias ocasiões, a porta de saída definitiva, que permitirá à economia avançar sem o medo de novos solavancos causados pelo coronavírus, é a vacinação em massa, inclusive da força de trabalho. É o que vem ocorrendo nos países que já conseguiram vacinar parte significativa da população, como Israel. A prioridade absoluta à imunização dos brasileiros é crucial para preservar os empregos atuais e gerar novas vagas o quanto antes.

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