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Editorial

Cooperação contra o PCC

Transferência de Marcola e outros líderes de facção criminosa para presídios federais mostra que a inteligência e a colaboração são ferramentas essenciais contra o crime organizado

  • PorGazeta do Povo
  • 14/02/2019 23:01
 | Alex Silva
| Foto: Alex Silva

Uma ação que envolveu trabalho de inteligência e cooperação entre vários órgãos do poder público resultou na transferência de 22 lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa da América do Sul, para presídios federais de segurança máxima no Rio Grande do Norte, em Rondônia e no Distrito Federal. A transferência também incluiu o líder máximo do PCC, Marcos Willians Camacho, o Marcola – ele e os demais 21 criminosos estavam, até agora, nos presídios de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes, no extremo oeste do estado de São Paulo, ambos sob administração do governo estadual.

A transferência havia se tornado uma questão crucial depois da descoberta, graças a operações de inteligência realizadas em outubro e novembro do ano passado, de um plano para retirar Marcola e outros chefões do PCC da prisão e enviá-los para o exterior. Segundo o Ministério Público paulista, a facção criminosa já tinha investido milhões de dólares em armas, veículos blindados e aeronaves. O plano incluiria o ataque ao presídio de Presidente Venceslau e a um batalhão da Polícia Militar, o corte da energia elétrica e das comunicações no entorno, o bloqueio da Rodovia Raposo Tavares, a principal da região, e ações em aeroportos de Presidente Venceslau e Presidente Prudente, para levar Marcola ao Paraná e, depois, Paraguai ou Bolívia, onde estaria o membro do PCC tido como o articulador do plano.

A separação dos líderes do PCC tinha de figurar entre as medidas para enfraquecer a facção

Mesmo antes de descobrir o plano para a fuga de Marcola, as autoridades paulistas já vinham interceptando comunicações ilegais entre os membros do PCC encarcerados e seus subordinados em liberdade, com instruções sobre outras fugas, ataques a autoridades e a outras facções criminosas em disputas por poder e espaço. Não chega a surpreender, já que o período de isolamento a que Marcola e outros comparsas foram submetidos entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017 fez pouco para refretar o ímpeto da organização criminosa, cujos tentáculos estão espalhados pelo país e chegaram a incluir até plano de saúde para membros e uma rede de advogados que prestariam serviços ilegais aos bandidos. Findada a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado, Marcola e os demais voltaram a ficar em contato.

Felizmente, as autoridades paulistas não se deixaram dominar pelo medo de que o PCC repetisse a série de ataques que aterrorizou os paulistas em maio de 2006, e deixaram de lado qualquer melindre sobre a transferência dos líderes para a responsabilidade federal, que poderia ser vista como admissão da incapacidade de conter Marcola e a cúpula do PCC. Afinal, algumas das circunstâncias que permitem aos chefões da facção continuar comandando o crime de dentro das cadeias derivam não de falhas administrativas, mas da própria legislação de execução penal, que, por exemplo, coloca restrições aos períodos de isolamento. Além disso, o mérito na descoberta dos planos que levaram à transferência foi dos órgãos de investigação paulistas.

Leia também: O desafio das facções prisionais (artigo de Eduardo Matos de Alencar, publicado em 13 de janeiro de 2019)

Leia também: Um pacote anticrime abrangente e robusto (editorial de 6 de fevereiro de 2019)

A cooperação entre o governo federal e o governo paulista permitiu que a transferência ocorresse sem transtornos. O presidente Jair Bolsonaro publicou decreto ordenando o reforço da segurança, até o fim de fevereiro, nas três unidades federais para onde os líderes do PCC foram transferidos. Enquanto isso, todos os presídios paulistas tiveram revistas simultâneas para evitar rebeliões e 100 mil policiais foram mobilizados.

Era evidente que alguma medida para conter o PCC precisava ser tomada, e a separação de seus líderes tinha de figurar entre as possibilidades analisadas pelas autoridades na área da segurança pública. Enquanto isso, é preciso continuar o trabalho de inteligência que permitiu a descoberta dos planos de fuga, reforçar os presídios para que eles não continuem a ser “escritórios do crime” e fazer o que for possível para estrangular financeiramente as facções, um dos pontos do pacote preparado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e que será levado ao Congresso em breve. Tanto Bolsonaro quanto o governador paulista, João Dória, foram eleitos com um discurso de endurecimento contra o crime, especialmente o crime organizado. O brasileiro espera que as autoridades continuem cooperando para dificultar a vida da bandidagem e garantir mais segurança à população.

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