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Editorial

Coronavírus: em busca de um mapa para sair da crise

  • PorGazeta do Povo
  • 02/07/2020 22:26
Forças Armadas dão suporte aos atendimentos de casos da Covid-19 em Roraima
Forças Armadas dando suporte aos atendimentos de casos da Covid-19 em Roraima.| Foto: Nelson Almeida/ AFP

O recrudescimento da Covid-19 em vários estados tem despertado a preocupação de muita gente. Por algumas semanas, muitos acreditavam que o pior momento já havia passado, dada as ordens de reabertura em vários locais, bem como o afrouxamento das medidas restritivas. Depois de quase três meses de sacrifícios, a sociedade brasileira parecia começar a respirar aliviada, mas logo as notícias ruins voltaram a se impor e as nossas fragilidades se tornam cada vez mais evidentes.

No total, o país já ultrapassou os 60 mil óbitos confirmados pela doença, com um número de infectados que se aproxima dos 1.500.000 segundo os dados oficiais. Tanto um como outro número devem sofrer correções futuras, considerando os alertas em torno do problema da subnotificação apontados por vários especialistas. A falta de dados confiáveis e de transparência dos governos em todos os níveis da federação coloca uma sombra no entendimento a respeito da dinâmica da doença. No Centro-Oeste a taxa de aceleração dos óbitos saltou exponencialmente nas últimas semanas, com a proximidade do colapso do sistema de saúde se tornando iminente em poucos dias. No Sul, a chegada do inverno tem sido acompanhada por um recrudescimento de casos, seguido de novas medidas restritivas da parte de governos e prefeituras. No Norte e no Nordeste do país, há notícias sobre a diminuição do número de novos casos, principalmente nas capitais, mas com indícios de aumento em cidades do interior. No Sudeste, Minas Gerais caminha para o pico das infecções, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo parecem estabilizados, mas não se tem certeza sobre o comportamento de uma eventual nova onda seguida do afrouxamento das medidas restritivas.

O agregado por regiões é necessariamente impreciso porque não temos ainda sequer um local com os dados detalhados por município e análises claras sobre a evolução da pandemia por cidade e estado. Sabemos já que o coronavírus matou mais brasileiros do que as mortes ocorridas no ano passado por violência, acidente de carro, HIV, câncer e outras morbidades. É um dos maiores desastres sanitários da nossa história, não resta mais dúvidas sobre isso. Porém, não dispomos de informações claras, em tempo hábil, para avaliar a tomada de decisões de governantes e realizar o mínimo de previsões para organizar o futuro da economia e das vidas dos brasileiros.

A promessa de uma política de testagem de massa, anunciada pelo Governo Federal já em março e reforçada pelas sucessivas gestões que passaram pelo Ministério da Saúde ainda não se concretizou de fato. A meta de distribuir 23 milhões de testes rápidos em todo o território nacional não foi concretizada nem sequer pela metade. Em muitos estados e cidades, mesmo quando há testes disponíveis, a testagem não é realizada de maneira rápida e eficiente, por problemas de logística, falta de pessoal ou simples incompetência. Conforme as experiências exitosas comprovam ao redor do mundo, a medida é essencial para projetar políticas de abertura, proteger os grupos mais vulneráveis e mesmo estimar a quantidade de pessoas que ainda devem necessitar de cuidados pelo sistema de saúde. A testagem também ajuda a fazer projeções essenciais sobre a distribuição de leitos de UTI e organização da logística do atendimento para populações que vivem longe dos grandes centros hospitalares. Além disso, facilita a implementação de medidas restritivas menos danosas, como o controle na entrada e saída de municípios que ainda não foram assolados pela doença, para que não sejam necessárias políticas de “lockdown”, que paralisam a vida social e econômica de milhões de pessoas. Sem testagem, não se sabe onde está, nem para onde se vai na pandemia.

Tampouco parece haver disposição de debater o problema da favela e das áreas mais pobres, que possuem dificuldades específicas para viabilizar o distanciamento social, dado a concentração de problemas econômicos, sociais, habitacionais, etc. Em pesquisa divulgada no último dia 24, realizada pelo Data Favela em parceria com o Instituto Locomotiva, constatou-se que 51% dos moradores de favela do país não consegue seguir medidas de prevenção e isolamento recomendadas para enfrentar a pandemia. São cerca de 13,6 milhões de pessoas segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que compõem um estrato da população particularmente vulnerável à doença. Depois de tantos meses, não ter uma política específica desenhada para esses territórios, da parte de nenhuma das esferas de governo, é mais um sinal de descaso das nossas autoridades e do nosso fracasso em tratar a questão social.

Essa gestão no escuro só reforça dúvidas sobre o timing da tomada de decisões de governantes em relação ao afrouxamento, implementação ou recrudescimento de medidas restritivas. Igrejas e comércios são abertos e fechados sem um critério claro, aparentemente definido mais pela lotação dos leitos de UTIs e atendimentos nos hospitais e postos de saúde do que por testes confiáveis. Afinal, a retomada das atividades econômicas também contribui com o aumento natural de outros tipos de ocorrência (acidentes, doenças, operações). Crianças e jovens continuam forçados a ficar em casa, impondo restrições ao trabalho de milhões de pessoas e sem perspectiva de término do ano letivo.

Uma situação assim só pode ser superada por dados confiáveis sobre quantidade de infectados, pessoas imunizadas, atendimentos diários em hospitais e postos de saúde e leitos de UTI disponíveis, tudo segmentado no nível municipal e estadual e atualizado com presteza. Em cima disso, é necessário estabelecer um planejamento que possa ser disponibilizado para toda a sociedade, que define que medidas devem ser tomadas e a partir da alteração de quais destes indicadores que devem ser levados em conta.

Na falta de uma política racional, a imprevisibilidade e a insegurança começam a se alastrar de maneira preocupante. A impressão da sociedade é de uma incapacidade generalizada de planejamento e gestão nas instituições, que devem ser capazes de absorver o impacto inicial de uma pandemia como essa, encontrar soluções para as particularidades locais e responder com altivez ao maior desafio da nossa história recente. Depois do pânico inicial, o Brasil precisa de um mapa para sair desse labirinto. Outros locais do mundo conseguiram. Por que nós, não?

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Comentários [ 10 ]

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    Marcelo Henrique

    ± 1 minutos

    Nenhum pio sobre a subnotificação de curados. Nada sobre o mapa de medicações. Não terá vacina e o vírus já circulava aqui no país desde ano passado. A saída é parar com o terrorismo, assim como pretende fazer o governador do Distrito Federal.

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    Antônio Carlos Portela Leôncio

    ± 2 dias

    A maior ignorância e de quem culpa um presidente se em nenhum lugar do mundo Governantes não sabe como lidar com essa Pandemia ,nem mesmo a OMS diz uma coisa hoje e outra amanhã, e ver brasileiros desinformados colocar a culpa no Presidente, os esquerdopatas voltam a atacar.

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    Alex Martins

    ± 2 dias

    Estamos desgovernados e entregues a nossa própria sorte. A História um dia vai revelar o alto preço pago por termos um negacionista ignorante na presidência, apoiado por um grupo de fanáticos, que devem estar até felizes se a pandemia matar pobres, pretos e índios. São os tais “patriotas” de araque. Como diz o Gurovitz é difícil é entender se tamanha cegueira coletiva deriva de algum misterioso viés cognitivo, talvez um singular “viés de burrice” ou se é algo mais sombrio. O mais difícil é compreender o que leva um ser humano, diante de tanta dor e tragédia, a dizer “e daí?” e nada fazer por quem realmente precisa. E vamos afundando cada vez mais...

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    Almir

    ± 2 dias

    Faltam ações práticas do Poder Público, não tem álcool nas entradas dos terminais, ônibus ou tubos. Os bancos 24 horas e terminais de atendimentos, onde um atrás do outro aperta a digital, não tem álcool. A Guarda Municipal poderia fiscalizar isso. Me convençam: qual o risco de uma loja de roupas ou de calçado ficar aberta e de contaminar mais do que essas omissões do setor público? Tem muito Aprendiz de Feiticeiro emitindo Decretos restritivos.

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    Eduardo Prestes

    ± 2 dias

    O que não tem solução, solucionado está ! Deixa a população cuidar de sua saúde, cada um a seu modo. Quem prefere ficar em casa, fique. Quem precisa trabalhar, que circule e trabalhe. Os governos poderiam auxiliar com bons dados (atualizados, por cidades e bairros, etc), investimento em hospitais e ampla oferta de testes. Outra providência importante é oferecer um kit de remédios para tratamento precoce, único recurso farmacológico com alguma eficiência. Depois que o infectado vai para UTI, nada funciona e há risco de óbito. O importante é impedir a resposta inflamatória do corpo, que compromete os pulmões.

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    Eduardo

    ± 2 dias

    É Excelente o seu comentário. Já a matéria, fraquíssima. Estou repensando a assinatura.

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  • R

    RGB

    ± 2 dias

    Os guardioes ds constituiçao os quais deveriam garantir o direito de expressao dos cidadões, agoram viram legisladores e opressores por nao aceitarem criticas. Que blz!

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  • N

    Neto

    ± 2 dias

    Qual o índice de afastamento de empregados por Covid (confirmados, teste rápido positivo ou suspeito) em cada um dos setores essenciais? Construção, energia elétrica, supermercados, farmácias, etc., todos eles têm esses dados. A Gazeta poderia ir atrás. E qual o perfil das pessoas hospitalizadas, não só por idade e sexo mas por classe social, formação, local de residência, se estava trabalhando ou em casa, etc. Também dá para a Gazeta levantar mas vcs só ficam botando pânico. Que tal ajudar na solução ai invés de só propagar o problema?

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    1 Respostas
    • L

      Lucas

      ± 2 dias

      Fala Neto, sabe que ao terminar de ler o editorial da gazeta eu fiquei com medo. Tem isso né? Ao invés de colocar uma informação, assim como você fez no seu comentário, com clareza às vezes o jornalista opta por uma notícia mais sentimental causando pânico. Obrigado pelo seu comentário Neto, fiquei mais tranquilo ao lê-lo.

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  • H

    Heinz Egon Landgraf

    ± 2 dias

    Isolar os vulneráveis e reabrir tudo. Esse é o mapa.

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