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O lançamento de obras do segundo conjunto do Programa de Aceleração do Crescimento envolvendo áreas de habitação e saneamento básico, feito ontem no Paraná pelo presidente Lula, completa o elenco de projetos de investimento em infra-estrutura e inclusão social destinado a marcar de forma positiva o novo mandato governamental iniciado neste ano. Até agora o ritmo de liberação dos recursos se mantém discreto – conforme reconheceu sua coordenadora, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef –, mas é preciso reconhecer que a repercussão do PAC é notada com o aumento da geração de empregos no país.

As iniciativas da infra-estrutura logística, compondo projetos de rodovias, ferrovias, melhorias em portos e aeroportos e construção de usinas de energia, entre outros, foram apresentadas de janeiro a abril. Nesse campo, o Paraná tem uma participação discreta de apenas poucos projetos transformados em obras, como o reparo de um pequeno trecho rodoviário no Contorno Leste de Curitiba (entre São José dos Pinhais e Piraquara), a segunda ponte rodoviária entre o Brasil e o Paraguai em Foz do Iguaçu e a projetada construção de uma variante ferroviária entre as regiões de Guarapuava e Ponta Grossa. Mesmo esta obra, deverá ser custeada pela concessionária daquele trecho de ferrovia, que aos poucos irá sendo compensada nas taxas que recolhe para o governo dentro do contrato de concessão. Projeto efetivo em execução mesmo só há um: o asfaltamento de parte da Transbrasiliana, a BR-153, ligando o Norte Pioneiro à Rodovia do Café na localidade de Alto do Amparo. A situação se repete pelo país: dos R$ 14,7 bilhões orçados pelo governo no PAC só R$ 4,4 bilhões estão comprometidos – segundo revelou a ministra Dilma Roussef nesta semana.

Com finalidade diversa, o programa apresentado ontem, durante a visita presidencial a Guarituba, no município de Piraquara, se volta para a chamada infra-estrutura social, beneficiando moradores de cinturões metropolitanos com projetos de saneamento básico, habitação de interesse social e transporte coletivo. Verifica-se um esforço pela inclusão social, mas há o risco de que, mesmo que a liberação dos recursos supere a corrida de obstáculos – imposta pela burocracia, pelo licenciamento ambiental e outros – os resultados decepcionem. A urbanização de uma favela, ou de uma ocupação habitacional precária, como preferem dizer os especialistas, logo é anulada pelo processo descontrolado de êxodo da população do interior para a periferia das metrópoles. Carente de educação e oportunidades, essa camada cai na dependência do auxílio público, levando o "Bolsa-Família" a atender a uma em cada quatro pessoas.

A tese de que a transferência do campo para as grandes cidades é inevitável não é de aceitação geral: os países asiáticos conseguem expandir suas economias mesmo mantendo a maior parcela dos habitantes no interior. Também no Brasil seria desejável o aumento de investimentos para criar oportunidades de trabalho não apenas no campo, mas também nas pequenas e médias cidades. Ao aceitarem, de forma fatalista, a tese da urbanização inevitável, e por isso preferindo cuidar do efeito e não da causa – o despovoamento do espaço interiorano –, as autoridades estão levando adiante uma autêntica operação de "enxugar gelo".

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