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A estabilização desfrutada pelo Brasil a partir do advento do Plano Real, combinada com o bom momento da economia global, permitiu ao Brasil vivenciar nos últimos anos um ritmo acelerado de crescimento. Inflação baixa, redução do desemprego e recordes na balança comercial foram alguns dos pontos favoráveis contabilizados, particularmente, por Lula em seus oito anos de governo. Um cenário em princípio positivo que, no entanto, não consegue esconder problemas graves que o país tem de enfrentar o quanto antes, sob pena de comprometer a continuidade do processo de desenvolvimento. Estamos nos referindo à reconhecida precariedade da infraestrutura necessária para impulsionar a economia e cujos gargalos estão sendo sentidos de uma forma cada vez mais aguda.

Uma situação em que se contrapõem o crescimento econômico com a falta de priorização de obras em setores fundamentais ao desenvolvimento de forma sustentável. Esse aparente paradoxo, aliás, se faz presente em pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) junto a um grupo de 13 economias médias; no quesito infraestrutura e logística, o levantamento mostrou que o Brasil está em penúltimo lugar. Em outras palavras, a lição de casa que não foi feita em anos anteriores agora se apresenta com mais premência.

A propósito, essa realidade foi abordada pela Gazeta, na última quinta-feira, quando em ampla reportagem foi mostrado o resultado de dois levantamentos técnicos que apontaram a necessidade hoje de investimentos de R$ 1 trilhão em obras para superar os entraves que limitam o desenvolvimento. Com efeito, uma simples olhada na infraestrutura existente mostra o quão atrasado se encontra o país em setores cruciais ao crescimento. Portos desaparelhados, ferrovias sucateadas, transporte de carga feito prioritariamente por rodovias em mau estado de conservação, aeroportos que não comportam mais o volume de passageiros e matriz energética aquém das necessidades compõem um cenário preocupante e ao mesmo tempo desafiador.

Os Programas de Aceleração do Desenvolvimento (PACs 1 e 2) foram lançados pelo governo federal com a previsão de investimentos consideráveis para aplicação em infraestrutura. Mesmo assim, ainda que recursos e vontade política existam, a falta de projetos, de visão integrada de planejamento e a ausência em maior escala da co participação do capital privado concorrem para travar o avanço das obras; situação que pode se agravar diante dos vícios crônicos da burocracia oficial e do sempre presente perigo de desvio nas verbas públicas.

A questão da infraestrutura brasileira ganhou uma prioridade a mais nos últimos meses, como consequência da escolha do país para ser sede da Copa do Mundo, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016. Diante de um tempo exíguo de preparação que se tem pela frente, o Brasil vai ter de adequar-se a um sem-número de exigências para promover os dois mais importantes eventos esportivos do planeta. Sem falar na revitalização de estádios ou na construção de novos, modernizar e ampliar os sistemas de transporte, de segurança, comunicação, saneamento e da hotelaria atual são absolutamente indispensáveis.

Mesmo com o curto espaço de tempo de preparação tanto para a Copa como para a Olimpíada, as duas competições podem se transformar nos agentes aceleradores das mudanças estruturais que se fazem necessárias hoje no Brasil. Através delas será possível adequar o país às exigências de um mundo cada vez mais competitivo e globalizado.

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