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Editorial

Lula compra votos e monta armadilha populista, mas podemos desmontá-la

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Lula tem abusado de medidas populistas com altíssimo custo fiscal na reta final da campanha eleitoral. (Foto: ChatGPT sobre foto de André Borges/EFE)

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O segundo turno da eleição presidencial ocorrerá no próximo domingo. Esta, portanto, é uma semana decisiva para uma eleição decisiva, em que os brasileiros terão de escolher se querem continuar sob um regime disfuncional e de exceção, uma juristocracia, ou se desejam voltar ao equilíbrio e à normalidade democrática. Trata-se da opção entre um país decente, seguro e rico, ou um país onde a irresponsabilidade virou norma e a mentira, sua marca registrada; entre um futuro promissor, ou o seu sepultamento.

Não pode haver dúvida válida acerca da única alternativa razoável. Lula foi conivente e cúmplice dos abusos perpetrados durante anos pelo STF. Tirou vantagem deles, alimentou-os e serviu-se deles para seus fins, incompatíveis com o bem do Brasil. Votar em Lula é, infelizmente, contribuir para a demolição da democracia e do progresso, ainda que muitos não o tenham percebido – e seguem sem percebê-lo ainda que o petista, neste exato momento, esteja empenhado em violar qualquer decência que se requer de um homem público, abrindo mão até das aparências.

Não basta que não nos deixemos comprar; é preciso trabalhar para que todos os que nos são próximos também não se deixem comprar

Contra o espírito da lei eleitoral e da Lei de Responsabilidade Fiscal, Lula tem abusado do poder político e econômico, empenhando-se em comprar o voto dos brasileiros com uma enxurrada de medidas populistas cujo efeito fiscal, medido pela Instituição Fiscal Independente, já beira os R$ 300 bilhões. São pacotes de estímulo ao consumo, crédito para setores específicos e, mais recentemente, o reajuste eleitoreiro do Bolsa Família, o fim da escala 6x1 e o perdão de dívidas tributárias dos MEIs; a mais nova cartada do petista é uma outra PEC, desta vez para garantir transporte público gratuito aos fins de semana. São medidas que, embora sedutoras no curto prazo, comprometem as finanças do país, gerando inflação e juros altos, estrangulando milhões e milhões de empreendedores, dos menores aos maiores, que são os principais responsáveis por criar emprego e levar desenvolvimento ao país.

As “bondades” eleitoreiras de Lula também violam a igualdade substancial que deve haver entre todos os candidatos. Oferecer benefícios desmedidos, sobretudo para uma população carente, é tentar apoiar-se na miséria involuntária de tantos e tantas, para perpetuar-se no cargo e, depois, continuar a violentar a boa-fé e a perspectiva de futuro dos brasileiros.

Tentar, no entanto, não é garantia de conseguir. E cabe a cada um de nós frustrar o jogo sujo do petismo nos próximos sete dias. Não basta que não nos deixemos comprar; é preciso trabalhar para que todos os que nos são próximos também não se deixem comprar. É preciso alertá-los neste momento em que se multiplicam as fontes de informação fraudulentas, em que jorram uma infinidade de mentiras ou de meias-verdades, e em que o TSE trata com desequilíbrio os candidatos, permitindo que Lula siga em frente com o uso da caneta presidencial e do dinheiro público para a compra de votos.

Não há mistério. Não é difícil compreender que cada “bondade” de Lula só é possível arrancando cada vez mais dinheiro do pagador de impostos – inclusive do mais pobre. Não é difícil compreender que a inflação gerada pelo desequilíbrio fiscal come com sobras qualquer ganho oriundo de um novo auxílio ou reajuste eleitoreiro em benefício social. E não é difícil recordar a grave crise de 2015-16, a maior da nossa história, que não foi superada nem mesmo pelo “fecha tudo” da pandemia, e que tem como causa a mesma irresponsabilidade que Lula demonstra agora

Nunca vale a pena hipotecar o futuro pela satisfação momentânea de alguma necessidade, ainda que real. O momento atual evoca dois exemplos, um bíblico e outro da cultura popular. Na Bíblia, o filho mais velho de Isaac, Esaú, vende ao irmão mais novo, Jacó, seus direitos de primogenitura (que lhe conferiam vários privilégios) por um prato de lentilhas, tamanha a fome que sentia no momento – “estou morrendo de fome; de que me servirá a primogenitura?”, diz. Ao cair em si, arrependeu-se, mas já era tarde. Milhares de anos depois, um quadro clássico do programa do apresentador Silvio Santos colocava uma criança em uma cabine isolada acusticamente, e ela deveria responder “sim” ou “não” a propostas de troca, sem saber do que se tratava. Não raro ela terminava com objetos de pouco valor, deixando passar chances de sair com um prêmio valioso.

Por ignorância ou de forma consciente, ainda há quem queira trocar a possibilidade de um país decente, rico e seguro por algumas benesses momentâneas

A criança, ao não saber o que estava em jogo, contava apenas com a própria sorte; Esaú, por outro lado, sabia muito bem do que abria mão. Pouco importa: por ignorância ou de forma consciente, ainda há quem queira trocar a possibilidade de um país decente, rico e seguro por algumas benesses momentâneas, que causarão mais desemprego, mais inflação, mais crise e criarão um clima propício a mais arbítrios e desmandos autoritários. Que não sejamos nós a fazer essa troca irresponsável, e que não sejam nossos parentes e amigos a fazê-la por omissão de nossa parte. Não podemos, de maneira nenhuma, permitir que escorra pelos dedos a oportunidade de tirar o Brasil da armadilha populista que ainda nos aprisiona.

Responsabilidade especial cai sobre os ombros de quem alcança centenas de milhares ou até milhões de brasileiros. Estes estão ainda mais obrigados que os outros a não esmorecer até o dia 25, e a manter o senso de urgência, a consciência de que não se pode perder nenhum momento. Pensamos sobretudo em tantos candidatos que foram recém-eleitos no primeiro turno. Muitos seguem fazendo um trabalho belíssimo, mas outros parecem ter adormecido sobre os próprios louros. Não é hora para isso.

O momento nos pede um esforço final. Não se trata de política com minúscula, mas de Política com maiúscula: a defesa da arquitetura da liberdade, das regras do jogo da convivência civilizada. Lembrar e divulgar as barbaridades do atual governo e dos abusos do STF é proteger também os que ainda não perceberam a gravidade do que está acontecendo. Compreende-se o cansaço e até a dificuldade de tratar de temas políticos em público, mas que no dia 25, independente do que ocorrer ao fim da apuração, que tenhamos a tranquilidade de ter feito o que estava ao nosso alcance.

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