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Editorial

Lula, o teto de gastos e a promessa de irresponsabilidade

No Twitter, Lula prometeu derrubar o teto de gastos. (Foto: Ricardo Stuckert)

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Não satisfeito em quebrar o Brasil uma vez, o lulopetismo está disposto a repetir a dose se voltar ao Planalto. O ex-presidente, ex-presidiário e ex-condenado Lula publicou na quinta-feira uma de suas plataformas de campanha para 2022: “A quem interessa o teto de gastos? Aos banqueiros? Ao sistema financeiro? Gasto é quando você investe um dinheiro que não tem retorno. Quando você dá R$ 1 bilhão para o rico é investimento e quando você dá R$ 300 para o pobre é gasto?! Nós vamos revogar esse teto de gastos”. Um jogo de palavras falacioso, usado para esconder alguns dos grandes erros da política econômica petista – afinal, os “campeões nacionais” escolhidos pelo PT podem atestar a generosidade do “investimento” recebido – e para justificar a irresponsabilidade futura.

A PEC do Teto de Gastos foi a primeira grande reforma do governo Michel Temer após o desastre da “nova matriz econômica”, iniciada no fim do segundo governo Lula e mantida nos dois mandatos de Dilma Rousseff. O gasto ilimitado, com direito a maquiagem orçamentária, botou o país na rota da pior recessão do século, com disparada da inflação e do desemprego – duas mazelas socioeconômicas que punem especialmente os mais pobres que Lula tanto diz querer defender.

Não é apenas em relação à ladroagem que Lula e o PT não se emendam: o petismo também não se arrepende da política econômica que destruiu o país

O ajuste fiscal iniciado com o estabelecimento do teto de gastos ainda está muito longe de ser concluído, mas a mera retomada da responsabilidade fiscal já bastou para baixar tanto a inflação quanto os juros no período entre 2017 e 2020, antes que a pandemia de Covid-19 desorganizasse a economia mundial e forçasse um novo ciclo de aumento na despesa pública. Ainda que se tratasse de um gasto necessário e justificado, com programas como o auxílio emergencial e as compensações pagas aos trabalhadores que assinaram acordos de redução de salário e jornada ou suspensão do contrato, as centenas de bilhões de reais investidos colocaram a dívida pública em trajetória muito preocupante. Atacar o teto de gastos – esforço no qual Lula infelizmente não está sozinho – é trabalhar para piorar o estado das contas públicas, não para recuperá-lo.

Não é apenas em relação à ladroagem que Lula e o PT não se emendam, portanto. Os corruptos do partido seguem louvados como “guerreiros do povo brasileiro” por líderes e militantes para os quais o mensalão e o petrolão jamais existiram, apesar das fartas provas dos dois esquemas. A crítica ao teto de gastos demonstra que o petismo também não se arrepende das práticas que causaram a recessão e, caso vença em 2022, repetirá a mesma política econômica populista e irresponsável, com todas as consequências nefastas amplamente conhecidas por qualquer um que tenha memória dos anos recentes e não esteja cego pela ideologia.

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Com a ajuda de setores da sociedade e da imprensa comprometidos pela afinidade ideológica e pelo ódio ao presidente Jair Bolsonaro, Lula está tentando construir a narrativa de um candidato “moderado” e “democrático” em oposição a um Bolsonaro “autoritário”. O compromisso do PT e de Lula com a democracia, bem sabemos, é uma falácia: amizade com ditadores, corrupção generalizada para destruir a separação de poderes, aparelhamento de instituições, hostilidade à imprensa livre. Mas o tuíte do ex-presidente lembra o país que o PT e Lula não são apenas ameaças à democracia brasileira: são, também, uma ameaça à saúde econômica de uma nação que ainda não se recuperou da “herança maldita” deixada pela passagem do partido pelo governo.

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