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Editorial

Mudar a estratégia

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  • 17/02/2007 18:22

Empenhado em destravar a economia, o presidente Lula vai examinar de perto a indicação dos membros da Diretoria do Banco Central, mantido o atual dirigente principal Henrique Meirelles. É que o governo se convenceu de que o Brasil só crescerá de forma robusta ao conseguir equilibrar o controle da inflação com a geração de renda e emprego. Para isso é preciso substituir o "freio de mão" do BC que, através de juros pesados mantém a demanda sob controle rigoroso numa economia de escassez, pela ampliação da oferta – na linha dos países que deram certo.

Essa foi a experiência recolhida pelo embaixador Rubens Ricúpero, que, após ter gerenciado a introdução da moeda "real" quando ministro da Fazenda, em 1994, se tornou diretor da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, a Unctad. Desse posto privilegiado, Ricúpero observou que no passado os Estados Unidos, a Alemanha e, depois, o Japão, os Tigres Asiáticos e, mais recentemente, a China e a Índia, apostaram numa estratégia que combinava expansão da oferta de bens e serviços, indução à poupança para financiar o investimento e governo enxuto.

Nesses modelos asiáticos o Estado exerce influência sobre o processo de desenvolvimento; mas em todos a carga de impostos é metade da brasileira (20 a 22% do PIB ante nossos 39 a 41%) e o juro real é três vezes menor; lições desconsideradas pelos financistas que dirigem o Banco Central. Como observou Ricúpero, eles olham na direção errada, dos países com economia madura: Inglaterra, Estados Unidos, etc. Ali a prioridade é conservar a riqueza já gerada, mas o Brasil precisa reunir meios para ganhar "velocidade de escape" – ensina o professor Hélio Jaguaribe; sob pena de continuar eternamente um país de futuro, como propunha Stefan Zweig há mais de meio século.

Com sua estratégia para o crescimento em constante reinvenção, os asiáticos vão deixando a posição de emergentes para tomar assento na roda dos atores mundiais. Nada mais significativo nesse sentido do que a recente reunião do G-8, os países mais ricos do mundo, no último fim de semana: os emergentes de maior escala foram convidados, Brasil incluso. Mas só ficamos na sessão preliminar; no dia seguinte, ao lado da Alemanha anfitriã, mais Estados Unidos, Japão, Canadá, Reino Unido, França, Itália e Rússia, os convidados foram China e Índia. Anteriormente, no fórum de Davos, ambas as potências emergentes da Ásia também haviam dominado o palco; a China por ter alcançado a segunda posição como exportador mundial; a Índia, agraciada com o "grau de investimento".

O Brasil está sendo chamado, sim, para ajudar a pagar duas faturas: a primeira, de respeito à propriedade intelectual de inovações geradas nos países ricos; a segunda, para contribuir na redução do aquecimento global. Em ambos os casos, em vez do jogo de empurra costumeiro, nosso governo fará melhor se negociar bons termos, por se tratar de obrigações conjuntas na ordem internacional. Afinal, queremos ser grandes e, lembrava Churchill, "o preço da grandeza é a responsabilidade".

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