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Em junho, no comparativo com de­­zembro do ano passado, a economia informal cresceu 0,9% na participação do Produto Interno Bruto (PIB). E continuará embalada, por causa, basicamente, de três fatores: crescimento mais acentuado da atividade econômica formal, que gera demanda por bens e serviços informais, a maior carga tributária, que força ou incentiva a debandada da economia formal para a atividade subterrânea, e as exportações. Neste caso, o efeito é contrário. Quanto maior o volume de exportações, menor a movimentação da economia subterrânea. Existe ainda, na composição do quadro, a maior percepção da corrupção, que também ajuda o incremento da economia paralela. A constatação é da pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada no início da semana, ao se deter sobre o segmento que inclui tanto atividades informais quanto procedimentos ilegais adotados por setores da economia formal, como a sonegação fiscal e o descumprimento de leis.

Mas o crescimento do informalismo no primeiro semestre foi bem inferior ao do semestre anterior, quando a crise internacional estava no auge. Naquele momento, o crescimento chegou a 13,6%, por conta, co­­mo assinala o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do impacto da crise na economia formal, notadamente no setor de crédito. Nesse embate, a economia subterrânea foi pouco afetada. Mas, com o fim da tempestade, as duas economias começaram a crescer em ritmo parecido. Ao mesmo tempo, o governo federal acredita que 2010 será o melhor ano do ponto de vista da geração de novos postos de trabalho, com a criação de 2 milhões de empregos, quando o crescimento do PIB, na opinião do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, deverá ficar entre 7% e 8%. Justifica-se em boa par­­te tal otimismo. O Brasil deve encerrar o ano com 1,1 milhão de novos empregos formais criados, o que não é pouco, bastando ver que, por conta da crise internacional, os Es­­tados Unidos perderam mais de 2,5 milhões de vagas.

A força do mercado interno, no caso brasileiro, foi fundamental para a recuperação econômica, não há dúvida, mas, com ela, os desafios ganham maior amplitude. E há mais dados que corroboram a certeza de que o momento exige atenção especial por parte do governo brasileiro, como alertou Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008, ao apontar os riscos de um "otimismo excessivo".

Análise do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, mostrando que a economia global terá um crescimento moderado de 2,4% no próximo ano, endossa que a média de crescimento na América Latina deverá ser de 3,4%, enquanto nos Estados Unidos ficará em 2,1% e, na União Europeia, será de apenas 0,4%. Com a análise, vem a advertência de que é necessário ter cautela e não se deixar levar pelo "otimismo sem limites" de estimativas positivas. Isso porque boa parte do impulso de recuperação virá da Ásia.

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