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Editorial

Foco na política externa

  • Por
  • 30/07/2005 19:02

O desfecho da sucessão no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com a eleição do colombiano Luis Alberto Moreno em lugar do candidato brasileiro João Sayad – mais um insucesso de política externa em período recente – torna urgente o ajuste de foco em nossa diplomacia. O atual governo coleciona vitórias no campo internacional, como a articulação bem-sucedida de um grupo de países para ampliar exportações aos mercados ricos; as vitórias na Organização Mundial de Comércio contra subsídios da União Européia ao açúcar e dos Estados Unidos ao algodão e a ação afirmativa de propor a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, num trabalho conjunto com países ricos e em desenvolvimento.

Ainda, no início deste ano o governo brasileiro trabalhou acordo pelo qual um delegado do Chile, o ex-ministro José Miguel Insulza, foi escolhido secretário-geral da Organização dos Estados Americanos. Sua escolha superou um impasse que se arrastava há meses, quando a secretária Condoleezza Rice – de passagem por Brasília – aceitou desfazer o empate entre o ministro do Chile e o candidato mexicano. Essa mediação da representante dos Estados Unidos inaugurou a política de diálogo interamericano anunciada pelo governo Bush em seu segundo mandato.

Mas tais êxitos têm sido temperados por tropeços, como a recente derrota da candidatura do diplomata brasileiro Seixas Correa à direção-geral da OMC, iniciativa lançada sem consulta prévia aos parceiros da região, já comprometidos com o representante do Uruguai. Esse processo se revelou de alto risco, porque, sem o apoio dos vizinhos nem o voto dos países desenvolvidos, nossa postura também dividiu a região – o que acabou dando força para a eleição de um terceiro postulante, o diplomata francês Pascal Lamy.

No caso atual, os analistas também viam com reservas a estratégia de Brasília, que ao lançar a candidatura Sayad demonstrou descoordenação até no nível interno: ela teria resultado de pressão do Ministério da Fazenda, sem consulta à pasta das Relações Exteriores, divergência que levou os diplomatas a trabalharem com pouco entusiasmo na promoção do candidato. Mais, numa incapacidade relativa para mobilizar apoio latino-americano, a diplomacia brasileira enfrentou outros candidatos regionais para o mesmo posto: a Colômbia lançou seu embaixador em Washington; o Peru apresentou seu ex-ministro das Finanças; a Argentina ameaçou indicar um nome local; e assim por diante.

No fim, embora seja atualmente vice-presidente do BID e nome respeitado como gestor econômico, o ex-ministro João Sayad ficou sem o apoio dos Estados Unidos (que detêm 30% dos votos), do Canadá, México e de países desenvolvidos, que também participam do capital do BID. Mesmo nossos parceiros do Mercosul, como Paraguai e Uruguai, votaram com o postulante colombiano. Felizmente, o problema não afetou por inteiro a fase de redescoberta na sonhada unidade política do espaço sul-americano: a Argentina, Bolívia e Chile, além da Venezuela, votaram com o Brasil.

De toda forma, tanto na área do comércio quanto em termos geopolíticos é hora de resgatarmos o foco na política externa, unificando o processo sob o Ministério das Relações Exteriores, como é de tradição histórica. Outro cuidado é administrar com sensatez o protagonismo que tem caracterizado o atual governo nessa dimensão sensível, conforme a diretriz formulada há mais de um século pelo Barão do Rio Branco, que resolveu pacificamente os conflitos pendentes de fronteira, adicionando 1 milhão de quilômetros quadrados ao nosso território (beneficiando o Paraná, ameaçado de fragmentação na Questão de Palmas).

Essa reorientação é fundamental ainda, em função da evidência de que as relações internacionais principiam pelo entorno geográfico. Precisamos fortalecer o Mercosul e manter a agenda de integração sul-americana, marcada pela aproximação entre o Mercosul e o Pacto Andino na criação de uma Comunidade Sul-Americana de Nações, para que o Brasil exerça um papel positivo no cenário internacional.

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