Mais uma vez o trecho São PauloCuritiba da BR-116 volta a causar transtornos e perdas, com a morte da família do escultor curitibano Ricardo Tod, ocorrida no fim do mês passado. O acidente que vitimou seis pessoas aconteceu em uma curva da Serra do Cafezal, o perigoso trecho da rodovia cuja duplicação está embargada por disputas de caráter ambientalista e por inação governamental na realização de obras de infra-estrutura. Os problemas dessa estrada vital deverão se agravar nesta entrada de verão, repetindo engarrafamentos verificados no ano passado, ante o fluxo de turistas que descem para passar os feriados no Sul do país.
Evitar a continuidade desse verdadeiro "apagão" logístico é um desafio para quantos se interessam pelos assuntos públicos como os participantes do Fórum Futuro 10 Paraná, que recomendaram agilização de instrumentos como as Parcerias Público-Privadas para assegurar investimentos nos troncos viários. A modernização da BR-116 entre São Paulo e Curitiba, com duplicação em todo o trajeto vem sendo adiada há mais de 20 anos; ora por falta de recursos ou por bloqueio de grupos ambientalistas radicais.
O afunilamento mais crítico na Serra do Cafezal, já próximo à divisa com o Paraná, que passa a ter pista única, provoca filas de mais de 50 quilômetros, dando ensejo a paradas, acidentes e inúmeras mortes como a do artista paranaense vitimado por um caminhão desgovernado. Nessa região a situação é mais deplorável porque a Serra do Cafezal, entre os km 337 e 367, no território paulista, tem pista simples com 30 quilômetros de rota esburacada, em região serrana, muitas curvas, sinalização precária, margens encobertas pela vegetação e outros defeitos de uma construção tecnicamente superada.
Por essa via primitiva trafegam mais de 20 mil veículos por dia a maioria com carga pesada transformando em um caos a mais importante rota de integração do continente. Construída ainda no governo Juscelino, a Rodovia "Régis Bittencourt", hoje vista como "Rodovia do Mercosul", liga a capital paulista a Porto Alegre, passando pelo Paraná; e sua modernização é prometida há tempo, inclusive pela atual administração. Porém a duplicação vai ficar para 2006 segundo confirmou o ministro dos Transportes. Como o próximo ano terá restrições legais derivadas do período eleitoral (obras só podem ser contratadas até o primeiro semestre), as perspectivas são desfavoráveis para essa e outras melhorias.
O problema é que no caso da BR-116, mesmo obras de emergências como a recuperação da ponte que desabou sobre a Represa do Capivari, se arrastam por meses, causando atrasos de mais de quatro horas na travessia desse ponto de estrangulamento. Para o restante dos projetos, a notícia é que devem esperar o regime de concessão para exploração empresarial, levantando a indagação de quantas mortes ainda serão necessárias para conseguirmos resgatar a BR-116.







