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Acidentes em rodovias federais que cortam o Paraná caíram 65% entre 2010 e 2020
| Foto: Polícia Rodoviária Federal

No ano de 2010, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu uma meta ambiciosa para aumentar a segurança no trânsito: incentivar os países a implantar medidas capazes de reduzir pela metade o número de vítimas de acidentes de trânsito pelos dez anos seguintes. Entre os pontos apresentados, estava a criação de medidas que resultassem na diminuição de velocidade dos veículos, na tentativa de reduzir a gravidade dos acidentes. Uma década depois, os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre ocorrências nas estradas federais mostram que, pelo menos no Paraná, o resultado parece ter sido atingido.

Um levantamento feito pela reportagem da Gazeta do Povo, com base nos arquivos públicos da PRF, mostrou uma queda de quase 70% no número de acidentes provocados por excesso de velocidade nas rodovias federais do Paraná entre 2010 e 2020. Caíram também o número total de acidentes, com e sem vítimas, e o número de mortos nas estradas.

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Em 2010 os dados da PRF apontam que houve 20.859 atendimentos a acidentes nas rodovias federais no Paraná. O destaque negativo daquele ano ficou para a BR-376, responsável por mais de um quarto das ocorrências (5.782 acidentes). Já em 2020, o número de acidentes nas estradas caiu para 7.146, queda de 65% - 1.611 ocorridos na BR-376.

A quantidade de feridos, leves e graves, caiu 35% no período, com 11.442 vítimas em 2010 e 7.420 em 2020. As mortes ainda ocorrem em decorrência dos acidentes, mas os números são 27% menores em 2020, 526, do que no início da década passada, quando 723 pessoas perderam a vida nas rodovias federais do Paraná. O dado mais recente ainda incomoda, mas segue abaixo da média no período, que é de 655 mortes por ano.

O levantamento mostra que o ano de 2012 foi o mais violento da série. Das 14 rodovias presentes nos relatórios da PRF, cinco delas tiveram naquele ano os seus piores índices de fatalidade. Ao todo, 855 mortes ocorreram nas estradas federais que cortam o estado. A BR-277 registrou, em 2012, 252 óbitos – o maior índice entre todas as rodovias federais pesquisadas.

Análise

Para Fabiana Bartalini Von der Osten, professora do curso de Engenharia Civil da PUC-PR e mestre em Transportes, a queda nos números pode ser explicada por uma série de fatores. Um deles, destaca a professora, é uma maior conscientização por parte dos motoristas por meio de campanhas como a do “Maio Amarelo”.

“Esta é uma campanha muito presente e muito importante. As pessoas têm se conscientizado sobre não usar o celular na direção, de estar sempre com o cinto de segurança. Há sempre um reforço para o fato de que, quando se está dirigindo, tem que se prestar atenção total no trânsito. Não é só a vida do motorista que está em jogo ali. É a vida dele e a dos outros. Temos propagandas no rádio, TV, internet, e isso ajuda a tornar mais efetiva essa conscientização”, avaliou.

Outro ponto mencionado pela especialista é uma melhora geral nos trechos das estradas que foram concedidos às empresas de pedágio. Para muitos motoristas, lembra Fabiana, o valor pago no pedágio é visto apenas como um custo. Mas, segundo ela, a contrapartida das concessionárias existe e é positiva.

“Na BR-376, ali na região de Ponta Grossa em sentido a Curitiba, na Serra de São Luiz do Purunã, havia muitos acidentes antes da concessão. Depois que essa rodovia foi concessionada, o número de acidentes caiu drasticamente, porque foi recuperada a pista, foram instalados radares, a velocidade foi mais controlada, tem sinalização com aquele ‘olho de gato’ em toda a via. Como há um controle maior na velocidade dos veículos, seja pelos radares fixos ou pelos móveis da PRF, os acidentes tendem a ser menos graves. As pessoas têm respeitado mais os limites de velocidade. E, por mais que tenha o acidente, a velocidade é menor e ele se torna menos grave”, comentou.

E a queda nos acidentes sem vítimas, como na situação apontada por Fabiana, foi outro ponto de destaque no levantamento feito pela Gazeta do Povo. Em 2010 esse tipo de ocorrência foi registrado 12.878 vezes pela PRF. Já em 2020 o número caiu para 1.461, uma redução de mais de 88%.

Pandemia

As medidas de isolamento implantadas durante o ano passado por conta da pandemia do coronavírus também tiveram sua parcela de contribuição para a queda nos índices, lembrou a especialista. Afinal, com a indisponibilidade temporária para deslocamentos mais longos, caiu o número de veículos nas estradas e, por consequência, o número de acidentes.

Mas a influência do isolamento social parece não ter sido tão grande em relação às mortes nas rodovias federais do Paraná. Os dados da PRF mostram que, dentro da década pesquisada, o ano de 2018, fora da pandemia, foi o que registrou o menor número de mortes: 494, muito próximo do índice de 2019, 500 mortes, e mais baixo que o registrado em 2020, 526.

Concessionárias

A CCR RodoNorte, responsável por 327 quilômetros da BR-376, classificou os últimos 10 anos como “de muitas transformações nas rodovias paranaenses”. Sobre as quedas nos índices de acidentes e vítimas, a diretora-presidente da empresa, Thais Caroline Labre, disse não ter dúvidas de que foram alcançadas por conta das melhorias realizadas nas rodovias, somadas ao trabalho constante de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal e das campanhas de conscientização sobre segurança no trânsito. “Destaco, falando especificamente da BR-376, os mais de 150 quilômetros de duplicações entregues entre Ponta Grossa e Apucarana, além dos novos acessos, viadutos e trincheiras construídas em Tibagi, Imbaú, Ortigueira, Mauá da Serra, Marilândia do Sul e Apucarana”, detalhou.

A Ecocataratas detém a concessão de mais de 387 quilômetros da BR-277. O gerente de atendimento ao usuário da concessionária, Marcelo Belão, credita a queda nos números a “ações de segurança viária, atuação de profissionais qualificados e atentos às particularidades da rodovia, bem como o comprometimento nas atividades de policiamento ostensivo e fiscalização, ressaltando ainda o trabalho integrado, multidisciplinar e interinstitucional no âmbito do Comitê de Prevenção e Redução de Acidentes (PRA) contando com a participação da Ecocataratas, PRF e DER/PR, esforços estes que levam a resultados positivos”.

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