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Projeto de duplicação de trecho da BR-376 vai ser discutido com o governo federal.
Projeto de duplicação de trecho da BR-376 vai ser discutido com o governo federal.| Foto: Socipar

Uma recontagem de tráfego no trecho da BR-376 que liga Paranavaí a Nova Londrina, no Noroeste do estado, aponta que entre 2019 e 2022 houve aumento de 70% na quantidade de eixos que passam pela estrada. A pesquisa foi feita por uma empresa de Campinas, a Perplan, contratada pela Sociedade Civil Organizada do Paraná (Socipar) e com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). As dez empresas que financiaram o estudo têm o objetivo de justificar ao governo federal a necessidade de fazer a duplicação nesse trecho da BR-376.

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Em 2019, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) calculou a passagem de 11.770 eixos por dia entre os dois municípios. Esse número saltou para 19.951 em fevereiro de 2022, segundo levantamento da Perplan. O cálculo foi realizado com a instalação de duas câmeras na BR-376: uma de Paranavaí a Guairaçá e outra de Guairaçá a Nova Londrina.

Aumento se deve à ligação entre Paraná e Mato Grosso do Sul

De acordo com o gerente de operações da Fiep, João Arthur Mohr, o principal movimento entre Paranavaí e Nova Londrina vem da passagem de veículos que transitam do Paraná para o Mato Grosso do Sul e vice-versa. "Nos últimos três anos, houve um aumento do turismo nas praias de água doce do Noroeste do Paraná, com maior número de compra de terrenos na região. Além disso, teve um crescimento do agronegócio, que envolve os dois estados”, explica Mohr.

O Mato Grosso do Sul é um grande produtor de milho e soja. Então, além de encaminhar a produção para moagens de Maringá, precisa transportar os produtos até o Porto de Paranaguá.

Para facilitar o trânsito entre as regiões, a Socipar tenta viabilizar essa duplicação há 9 anos. “A obra vem ao encontro da necessidade de integrar o Noroeste do estado ao polo de desenvolvimento do Paraná”, aponta o presidente da associação, Demerval Silvestre. “Com as melhorias, a região Noroeste vai, acima de tudo, fomentar o desenvolvimento estadual e se tornar a porta de entrada para a produção que vem do Mato Grosso do Sul”, conclui.

Obra deve ficar pronta em 7 anos

Com os novos números em mãos, a Socipar se reunirá nos próximos dias com o Ministério da Infraestrutura para que o projeto saia do papel. Segundo a Fiep, existem duas principais alternativas para viabilização da obra.

Uma delas é por meio da substituição de duplicações que seriam feitas pelas novas concessionárias de pedágio da região. Elas acabaram sendo absorvidas pela empresa que tinha a concessão até o ano passado, a Viapar. Dessa forma, a duplicação entre Paranavaí e Nova Londrina poderia se tornar obrigação da empresa que assumir o trecho - a licitação deve ocorrer apenas no fim deste ano. Outra opção é que, no próximo contrato de concessão, fique definido que parte do aporte financeiro oferecido pela empresa vencedora da concorrência seja diretamente encaminhado à obra.

Em qualquer um dos possíveis cenários, a previsão é de que a duplicação seja concluída entre o sexto e o sétimo ano de vigência do novo contrato de pedágio, conforme informou à Gazeta do Povo o gerente de operações da Fiep, João Arthur Mohr.

Duplicação faz parte de um projeto maior

Além da duplicação, as empresas da Socipar, com o apoio da Fiep, tentam viabilizar a construção de uma nova ponte entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, ligando os portos de São José (PR) e São João (MS), sobre o rio Paraná.

Hoje, caminhões do Mato Grosso do Sul em direção ao Paraná precisam passar pela barragem Primavera, entrar no estado de São Paulo, atravessar a barragem de Rosana para, aí sim, entrar no Paraná via Nova Londrina e acessar a BR-376. Esse caminho, com duas barragens, tem trânsito lento e restrição de peso de caminhões. Uma nova ponte encurtaria o trajeto entre os estados em até 120 km.

Mas, de acordo com os representantes dos principais grupos de interesse dessas obras no Noroeste do estado, a ponte deve acontecer somente depois que a duplicação for construída. Isso porque, com a ponte, o fluxo de veículos na região ficaria ainda maior. “Pelo bem da região noroeste, só é possível pensar em ponte depois que a gente tiver a duplicação entre Paranavaí e Nova Londrina. Antes de tudo, o movimento já está grande demais por aqui”, diz o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar).


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