Marion Burger, médica infectologista, e Márcia Huçulak, secretária municipal de Saúde
Marion Burger, médica infectologista, e Márcia Huçulak, secretária municipal de Saúde| Foto: Reprodução/Facebook

A secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, reconheceu, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (17), que Curitiba segue com taxa alta de mortalidade e de novos casos diários de Covid-19, apesar da mudança da bandeira da cidade de laranja para amarela, que representa a alteração do estado de risco para estado de alerta e o fim da restrição ao funcionamento de diversos estabelecimentos comerciais. Ela afirmou, no entanto, que a indicação de que está havendo decréscimo nos índices do coronavírus na cidade permitiu a revisão da bandeira.

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“Chegamos ao platô e começamos uma descendente. É o que mostram todos os nossos indicadores. Agora, confiamos na compreensão e no bom comportamento dos curitibanos para mantermos no amarelo. Precisamos manter todas as nossas medidas de proteção para continuar dominando essa curva na descendente. Mas não podemos tutelar a sociedade o tempo todo”, disse, afirmando concordar com a declaração do prefeito Rafael Greca (DEM) de que "o pior já passou". Embora não seja um indicador direto entre os nove considerados pela secretaria para rever as bandeiras, Márcia Huçulak afirmou que a atual taxa de retransmissão do vírus ajudou a pasta a ter convicção do momento de declínio da doença. “Nossa taxa (Rt) já esteve em 1,4 e, agora, pela primeira vez, baixou de 1, o que indica diminuição da curva de contágio. Fechamos a última semana com taxa 0,88”, apontou.

Quando entrou na bandeira laranja, em 14 de junho, Curitiba teve 69 novos casos de Covid-19 e três mortes. Nesta segunda-feira, no mesmo momento que anunciou a troca de bandeira para laranja, a secretaria informou o registro de 477 novos casos e de 13 óbitos. Questionada se a situação hoje está melhor que em junho, o que justificaria a revisão da bandeira, Huçulak admitiu que não. “De forma nenhuma. Mas o que sinaliza no nosso painel é uma estabilização com redução em relação à semana passada. São nove indicadores que medem a velocidade de propagação da doença e a capacidade de resposta de nosso sistema. A queda desses indicadores [em relação à semana anterior] nos dá segurança de dizer que a gente deve estar em descendente. Outro fator importante é que, todos os anos, julho é o pico das Síndromes respiratórias. E, mesmo com o coronavírus, isso se manteve. E, agora, o número de internamentos por doenças respiratórias também vem caindo”, comentou, citando que não há como esperar uma situação semelhante à de junho para encerrar as restrições ao comércio. “Há decréscimos, mas estamos no alto. Mas não vamos voltar à situação anterior tão cedo. É só olhar a curva de outros locais”.

Segundo a secretaria, da semana entre 1º e 7 de agosto para a semana entre 8 e 14, houve redução de 20% no número de casos novos e óbitos. Redução de 10% na ocupação de leitos de UTI e redução na entrada de pacientes com síndrome respiratório nas unidades de saúde na ordem de 30%, o que permitiu a revisão da bandeira.

A secretária comemorou a taxa de ocupação de UTIs Covid em Curitiba em 85%. “Nunca estivemos tão bem de taxa de ocupação de leito de UTI. Chegamos a bater 97% de ocupação, nesta última semana, mantivemos a faixa de 83%. Tínhamos mais leitos para ativar e, felizmente, não foi necessário. Se confirmado que estamos numa descendente, nunca precisaremos”, afirmou.

Apesar da reabertura dos parques, do fim das restrições ao comércio e da liberação, inclusive para atividades em piscina, Márcia Huçulak pediu bom senso à população. “Vamos sair dessa situação em que tudo é proibido. Não é nosso papel ditar regras de funcionamento de estabelecimentos, mas foi necessário para proteger o cidadão. Agora é hora de confiar na atitude individual das pessoas. Se sou do grupo de risco, não vou nadar, nem vou ao shopping. Também não vou levar crianças a locais onde podem ocorrer aglomerações. Cada um que faça a sua avaliação”, concluiu.

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