
O Paraná lidera uma iniciativa para acabar com o ciclo de obras baratas que exigem manutenção cara. Através de incentivos fiscais e análise de ciclo de vida, o estado foca em durabilidade e sustentabilidade, servindo de modelo para a modernização da infraestrutura nacional em maio de 2026.
Qual é o principal problema das obras públicas no Brasil hoje?
O país costuma escolher projetos pelo menor preço no edital, ignorando os custos futuros. Isso resulta em estradas que estragam em cinco anos e prédios que precisam de reformas constantes. O orçamento acaba pressionado por reconstruções que poderiam ter sido evitadas com materiais melhores e planejamento de longo prazo.
O que é a análise de ciclo de vida defendida pelo estudo do CLP?
É uma forma de avaliar o custo total de uma obra desde o início até o fim de sua vida útil. Em vez de olhar apenas o preço da construção, os gestores medem quanto será gasto com manutenção, consumo de energia e até as emissões de poluição ao longo de décadas. A ideia é que investir um pouco mais agora gere uma economia enorme no futuro.
Como o governo do Paraná está incentivando obras mais duráveis?
O estado zerou o imposto (ICMS) sobre o cimento usado na pavimentação de rodovias estaduais. No entanto, o benefício é condicionado: as secretarias precisam comprovar, anualmente, que os custos de manutenção caíram e que o número de acidentes diminuiu. Se os resultados positivos não aparecerem, a isenção fiscal pode ser cancelada.
O que é a técnica de whitetopping citada no projeto paranaense?
É uma técnica de engenharia que aplica uma camada de concreto sobre o asfalto já deteriorado, aproveitando a estrutura antiga como base. Estudo na rodovia PRC-280 mostrou que essa opção emite 40% menos poluentes e consome muito menos energia do que refazer o asfalto convencional, garantindo uma pista muito mais resistente.
Como esse modelo pode ser levado para o restante do país?
O Centro de Liderança Pública (CLP) defende que o governo federal exija análise de risco climático e desempenho em projetos financiados com recursos públicos. Nos municípios, a mudança deve ocorrer nos editais de licitação, priorizando alternativas que provem ser mais eficientes e baratas de manter ao longo do tempo, e não apenas as de menor preço imediato.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.








