
O Paraná assumiu a liderança nacional no uso de polilaminina, um tratamento experimental para lesões medulares. Com 19 procedimentos realizados até junho de 2026, o estado supera Rio de Janeiro e Espírito Santo no acesso via uso compassivo autorizado pela Anvisa.
O que é a polilaminina e para que serve?
A polilaminina é um medicamento experimental desenvolvido para tratar lesões na medula espinhal, que frequentemente causam perda de movimentos. Ela atua tentando recuperar as conexões nervosas interrompidas pelo trauma. Embora ainda esteja em fase de testes clínicos e não possa ser vendida em farmácias, a substância tem mostrado sinais promissores de melhora na sensibilidade e no controle motor de alguns pacientes tratados.
Como o paciente tem acesso a esse tratamento experimental?
O acesso ocorre pela modalidade de 'uso compassivo'. Isso significa que, quando um paciente tem uma condição grave e não existem mais tratamentos aprovados que funcionem, o médico responsável pode solicitar à Anvisa e ao laboratório fabricante a doação do remédio experimental. No Paraná, a liberação pela Anvisa tem sido rápida, levando cerca de três dias úteis, mas a decisão final de doar a substância é sempre do Laboratório Cristália.
Como é realizada a aplicação do medicamento?
O procedimento é extremamente delicado e exige precisão cirúrgica. Dois especialistas realizam uma punção direta na medula, exatamente no local da lesão, que costuma medir apenas um centímetro quadrado. Fatores como a altura da lesão (perto do pescoço ou nas costas) e cicatrizes de cirurgias anteriores podem tornar o processo mais lento, variando de 30 minutos a até duas horas de duração.
Quais resultados estão sendo observados nos pacientes paranaenses?
Médicos relatam melhoras progressivas e significativas para a qualidade de vida. Há casos de pacientes que voltaram a sentir o toque de familiares e variações de temperatura (calor e frio), além de pessoas que recuperaram o controle do tronco e até começaram a engatinhar. Os especialistas explicam que, embora o objetivo final de todos seja voltar a caminhar, o foco atual está na recuperação desses 'pequenos gestos' e funções básicas.
O tratamento já está disponível para toda a população pelo SUS?
Ainda não. Para ser comercializada ou incorporada ao SUS, a polilaminina precisa passar por três fases de estudos clínicos exigidos pela Anvisa para comprovar segurança e eficácia total. Atualmente, a pesquisa de fase 1 está aprovada para ocorrer em São Paulo e no Rio de Janeiro. Somente após a conclusão de todas as etapas burocráticas e científicas é que o governo poderá avaliar a oferta do remédio de forma ampla na rede pública.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





