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A votação do novo Plano Diretor de Curitiba está prevista para dezembro na Câmara Municipal. A proposta reúne as diretrizes que orientam o crescimento e a organização da cidade e foi tema de uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (4), no Legislativo. Cerca de 150 pessoas participaram do encontro, que durou mais de quatro horas e abordou temas como habitação, mobilidade urbana, preservação ambiental, mudanças climáticas e desenvolvimento econômico.
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A previsão da Câmara é votar o texto em duas etapas, nos dias 2 e 14 de dezembro. Até lá, o projeto ainda poderá receber sugestões e alterações. A consulta pública pela internet continua aberta até 15 de novembro.
O Plano Diretor funciona como um “guia” para o crescimento da cidade. Ele orienta como o território será ocupado, onde poderão ocorrer mudanças urbanas e quais áreas devem receber atenção especial em temas como habitação, mobilidade e proteção ambiental.
A revisão em discussão considera um horizonte de planejamento até 2050. Entre as questões que nortearam a elaboração estão o envelhecimento da população, as mudanças climáticas, o avanço da tecnologia e as transformações na economia.
Envelhecimento e mudanças climáticas entram no planejamento
Durante a audiência, a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ana Jayme, apresentou dados reunidos ao longo da revisão do Plano Diretor. Segundo ela, o processo participativo conduzido pela prefeitura desde abril de 2025 recebeu cerca de 9 mil contribuições em quase 90 atividades.
Um dos exemplos citados foi o Bairro Novo. Entre 2010 e 2022, a população com mais de 60 anos praticamente dobrou na região. Nas consultas realizadas com moradores, apareceu a necessidade de melhorar a infraestrutura para atender esse público. Para Ana Jayme, cruzar as demandas da população com os dados demográficos ajuda a orientar decisões sobre equipamentos e serviços urbanos.
Outro ponto destacado foi a preparação da cidade para eventos climáticos extremos. A presidente do Ippuc afirmou que parques e bosques têm papel importante na resposta a chuvas intensas e outros fenômenos. A proposta, segundo ela, é pensar a infraestrutura e a proteção ambiental com planejamento de longo prazo, e não apenas para uma gestão municipal.
O instituto também apresentou um levantamento relacionado ao conceito de “cidade de 15 minutos”, que busca aproximar os moradores de serviços, comércio, trabalho e equipamentos públicos. De acordo com Ana Jayme, o tempo médio de acesso a diferentes tipos de serviço nos bairros ficou em torno de nove minutos. O acesso a espaços e atividades culturais, porém, apresentou tempos maiores, indicando diferenças entre as regiões da cidade.
Proposta prevê mudanças na organização urbana
O diretor de Planejamento do Ippuc, Thomaz Ramalho, explicou que a revisão do Plano Diretor busca preparar Curitiba para as transformações previstas nas próximas décadas. A chamada Visão Curitiba 2050 considera quatro grandes fatores: mudanças climáticas, avanço tecnológico, alterações na economia e envelhecimento populacional.
A nova proposta também amplia o texto da legislação. Enquanto o Plano Diretor atual tem 194 artigos, o substitutivo em análise na Câmara reúne 355. Segundo Ramalho, a organização passa a dar mais destaque ao planejamento de longo prazo, à integração com municípios da região metropolitana e à participação da população.
Entre as mudanças está a simplificação do macrozoneamento, que divide o território da cidade conforme suas características e possibilidades de ocupação. A proposta estabelece dez macroestratégias — seis urbanas e quatro ambientais — para orientar áreas que poderão passar por adensamento, transformação, qualificação, recuperação ou proteção.
Isso não significa que todas as regras de construção serão definidas agora. O detalhamento dos parâmetros, como os limites construtivos de cada região, ficará para a futura revisão da lei de zoneamento.
Outro instrumento apresentado é o chamado coeficiente estratégico. A ideia é relacionar o potencial de construção de um empreendimento a contrapartidas ou objetivos de interesse público, como sustentabilidade, qualificação dos espaços urbanos e impacto socioeconômico. O mecanismo também foi relacionado à possibilidade de ampliar a oferta de moradias em áreas com infraestrutura e acesso ao transporte.
Moradores cobram melhorias no transporte e na estrutura dos bairros
Ramalho explicou ainda que a prefeitura encaminhou um substitutivo geral durante a tramitação para incorporar contribuições recebidas nas etapas de consulta e análise técnica. Segundo ele, as manifestações feitas agora na Câmara também poderão resultar em novos ajustes antes da votação.
Transporte, arborização e moradia geram questionamentos
A segunda metade da audiência foi dedicada às perguntas e sugestões de moradores, entidades e representantes de diferentes setores. Parte das manifestações cobrou que as diretrizes do Plano Diretor sejam acompanhadas de medidas concretas para melhorar a vida nos bairros.
Na área de mobilidade, representantes estudantis defenderam prioridade ao transporte coletivo, aos pedestres e às bicicletas. Paulo Henrique Dias, da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), relacionou as dificuldades de deslocamento à falta de acesso de jovens da periferia a equipamentos culturais e educacionais. Ele também mencionou a lotação dos ônibus e o preço da tarifa.
A situação das ciclovias também foi questionada por Luciana Filipak, do Conseg Hugo Lange, que cobrou atenção à manutenção, iluminação e segurança. Ela ainda perguntou sobre o futuro da faixa ferroviária da cidade.



