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Gamer
Brasil conta com 75,7 milhões de gamers, segundo levantamento da NewZoo| Foto: Divulgação/Brasil Game Show

O edital de 2019 de produção e desenvolvimento de obras audiovisuais do governo do estado, cujas inscrições vão até o dia 29 de julho, inclui pela primeira vez a produção de jogos eletrônicos entre as tipologias de projetos que podem ser receber recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Duas propostas serão selecionadas na categoria e o aporte total será de até R$ 250 mil.

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Os recursos, provenientes da Agência Nacional do Cinema (Ancine), serão destinados à projetos de produção de jogos eletrônicos inéditos, para exploração comercial em consoles, computadores ou dispositivos móveis. Podem concorrer nessa categoria, pessoas jurídicas com fins lucrativos, classificadas como agentes econômicos independentes, devidamente registradas no estado do Paraná há pelo menos 12 meses. Confira o edital completo.

O incentivo deve ajudar a dar fôlego à indústria de jogos eletrônicos, que, apesar de dispor de um público consumidor crescente, encontra dificuldades financeiras. Segundo dados da empresa de consultoria no mercado de games NewZoo, o mercado brasileiro conta com 75,7 milhões de gamers, que movimentaram em 2018 1,5 bilhões de dólares em jogos.

No 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, publicado pelo Ministério da Cultura em 2018, o Paraná aparece como o quarto estado brasileiro que mais sedia empresas desenvolvedoras de games, com 30 no total, sendo 22 formalizadas e oito não formalizadas. O estado fica atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em relação ao levantamento anterior, realizado em 2014, o Paraná teve um crescimento de mais de 200% entre as empresas formalizadas.

Os números parecem promissores, mas o cenário já foi melhor. Em 2005, apenas na região de Curitiba havia cerca de 50 empresas do ramo, segundo a professora do curso de Design da Universidade Positivo (UP) Michelle Aguiar, que trabalha com jogos digitais desde 2003. A crise econômica de 2008 contribuiu para o fechamento de diversas desenvolvedoras e, no momento, o setor passa por um processo de recuperação.

Segundo Michelle, o movimento da indústria paranaense de games não difere do que ocorre nos demais estados do país. “O Brasil forma muitos desenvolvedores talentosos, que abrem pequenos estúdios, mas enfrentam dificuldade de se manter com a concorrência de empresas grandes, especialmente as de fora do país”, diz.

Grande parte dos profissionais da área são jovens que escolhem a carreira em razão da paixão por games. Segundo o último Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, a renda média da categoria está na faixa de até R$ 1.908 mensais. “Editais como esse ajudam a dar um fôlego e a formar portfólio e são mais acessíveis do que um investimento privado ou o uso de recursos do próprio bolso, como muitos empresários fazem.”

Pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizada em 2017 revelou que 50% das empresas do setor de jogos digitais tinham menos de três anos de funcionamento, 70% tinham até cinco colaboradores e 65% dependia de recursos próprios ‘sempre’ ou ‘muito frequentemente’.

Um bom início para quem quer fazer carreira na área é o desenvolvimento de jogos educacionais. “Há grande investimento por pate de editoras”, diz a professora da UP, que desenvolveu trabalhos de mestrado e doutorado na área de jogos educacionais. “É a melhor maneira de se adquirir experiência para depois ir para a área de entretenimento.”

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