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Falta de água: que medidas a Sanepar tomou para reduzir os efeitos da estiagem?
| Foto: Lineu Filho /Tribuna do Pararana

A chuva de novembro até o começo de fevereiro, que tanto ajudou o sistema de abastecimento de água de Curitiba e região metropolitana na pior estiagem da história do Paraná, começa a fugir do horizonte.

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Apesar de as quatro barragens terem alcançado nos últimos dias um dos melhores níveis em meses, com 48% de sua capacidade – desde maio de 2020 não passava dos 40% -, a previsão dos efeitos do fenômeno climático La Niña no outono ligou mais uma vez o alerta da Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar).

A estimativa é de que a chuva fique abaixo da média histórica entre fevereiro e abril. "Infelizmente, o cenário é desconfortável“, aponta o diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Julio Gonchorosky.

Se as dificuldades geradas pelo La Niña se confirmarem, a Sanepar terá de manter o rodízio de 36 horas com água por 36 horas sem abastecimento por mais tempo. Para o fornecimento retornar ao normal, é preciso que as barragens alcancem 60% de sua capacidade e se cair para 25%, o rodízio passa a ser de 24 horas com água por 48 horas sem.

Por isso, a companhia reforçou o pedido para que a população siga a meta de redução de 20% no consumo individual de água. Mas o que a Sanepar tem planejado para mitigar o efeito não só dessa estiagem, mas também de futuras secas que possam atingir o Paraná?

De acordo com a companhia de saneamento, foram adotadas 20 medidas na gestão da atual crise hídrica, incluindo o rodízio e a meta de queda de 20% no consumo. Confira abaixo as principais delas:

Barragem do Miringuava

A construção da Barragem do Miringuava é a principal obra para a Sanepar reforçar o abastecimento de água em Curitiba e região metropolitana, ao custo de R$ 160 milhões. A represa em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, terá capacidade de armazenar 38 bilhões de litros de água. A conclusão, entretanto, atrasou. A barragem tem 29 metros de altura - o equivalente a um prédio de nove andares – e 309 metros de comprimento.

A previsão era de que a barragem ficasse pronta em dezembro de 2020, mas agora deve ficar pronta em março desse ano. A pandemia e a chuva atrasaram o cronograma. Houve surto de Covid-19 entre os operários e atraso na entrega de insumos causada pela pandemia. Já a chuva de dezembro e janeiro prejudicou a execução do aterramento, que por questões de segurança dos trabalhadores só deve ser feito com índices muito baixos de umidade.

A Sanepar segue o cronograma de obra, mas afirma estar sujeita a interferências externas, como as condições climáticas. A próxima etapa do processo será o resgate da fauna e retirada da flora que serão atingidas pelo alagamento da área.

Captação alternativa

A decisão imediata da Sanepar para aliviar os efeitos da atual estiagem foi reforçar a captação de água em fontes alternativas. A companhia vem reforçando o abastecimento com água coletada em cavas e lagos, além de rios que não fazem parte do sistema de abastecimento. Houve também transposição de rios, como no caso do Pequeno, Miringuava Mirim e Miringuava. Também foi negociado com a Petrobras a captação de água na barragem do Rio Verde, que pertence à Repar, refinaria de petróleo em Araucária, na região metropolitana.

Interligação da rede

A crise hídrica adiantou em um mês a interligação do reservatório Corte Branco, no bairro Uberaba, em Curitiba, para atender regiões mais afetadas pela falta de água. Concluída em abril de 2020, a interligação reforçou em 30% a transferência de água, principalmente para a região Sul de Curitiba, em bairros como Tatuquara, Caximba, CIC, Campo de Santana e Xaxim. Justamente por ser mais distante dos reservatórios, nessa área o abastecimento demora mais para voltar ao normal nos dias em que o fornecimento de água retorna no rodízio.

Captação no Rio Capivari

A Sanepar pretende concluir até junho desse ano obra para captação no Rio Capivari e a construção de uma adutora para levar água de um afluente do Rio Timbu até a Barragem do Iraí. A obra estava planejada para 2025, mas foi adiantada justamente pelo quadro de estiagem. Quando concluída, deve reforçar em 450 litros por segundo o abastecimento.

Novos reservatórios

Estão sendo construídos quatro reservatórios em Curitiba que serão interligados a novas redes de distribuição. O custo das obras é de R$ 100 milhões com previsão de conclusão em maio de 2022. Os novos reservatórios nos bairros Santa Quitéria e Sítio Cercado vão armazenar 10 milhões de litros de água cada. Já no Lamenha Pequena a capacidade será de 3 milhões de litros e no Butiatuvinha, de 2,2 milhões de litros.

No total, as novas redes distribuídoras terão 107 km de extensão. Serão 23,7 km no Santa Quitéria, 25,6 km no Sítio Cercado, 13,5 km no Bacacheri, 6,4 km no Cachoeira e 27,6 km entre os bairros de Santa Felicidade, Lamenha Pequena e Butiatuvinha. Outros 10 km de tubulação adutora serão implantados no Santa Quitéria, Bacacheri, Santa Cândida e Cachoeira.

Corredor ecológico

Um corredor ecológico de 97 km no entorno do Rio Iguaçu vai reforçar o abastecimento dos reservatórios em Curitiba e região metropolitana. O plano é que se criem bolsões de água da região sul do Paraná até a região metropolitana capazes de armazenar até 116 bilhões de litros de água, o equivalente a duas barragens do Iraí. Além de ajudar no abastecimento, o corredor também deve prevenir inundações em áreas urbanas.

A Sanepar é parceira nesse projeto da Coordenação da Região Metropolitana (Comec), órgão do estado que gerencia projetos na grande Curitiba. O Corredor Ecológico também vai criar quatro parques. Serão dois novos parques em Piraquara (Parque Ambiental do Itaqui e Parque Ambiental de Piraquara), um entre Curitiba, São José dos Pinhais e Piraquara (Parque Metropolitano do Iguaçu) e um em Araucária (Parque Natural do Iguaçu).

Chuvas induzidas por avião

A Sanepar está testando a indução de chuvas a partir do bombardeamento de água feito por avião em nuvens com potencial de precipitação. A semeadura de nuvens, como é tecnicamente chamado o processo, é um dos projetos de pesquisa e inovação da Sanepar e tem custo de R$ 2,48 milhões.

A partir da identificação de nuvens com potencial de precipitação nas proximidades das barragens, o avião decola e injeta microgotículas de água no interior dela. A junção da água já existente na nuvem e das gotículas injetadas forma gotas maiores, as quais caem com o próprio peso no formato de chuva. Se os resultados dos testes forem satisfatórios, a Sanepar pode contratar a empresa que presta o serviço em casos emergenciais.

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