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Fim da escala 6×1 pode elevar tarifa de ônibus em até 8%

Fim da escala 6×1 gera debate sobre custos, contratação de motoristas e possível impacto na frota de ônibus.
Fim da escala 6×1 gera debate sobre custos, contratação de motoristas e possível impacto na frota de ônibus. (Foto: Pedro Ribas/Prefeitura de Curitiba)

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O possível fim da escala de trabalho 6×1 pode elevar em até 8% as tarifas de ônibus no Brasil. A projeção aparece em um levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que avalia os impactos da mudança na jornada sobre os custos do transporte coletivo.

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A projeção leva em conta que as despesas com pessoal representam aproximadamente 50% da planilha de custos de operação do transporte coletivo. Com a alteração na jornada de trabalho, o modelo de financiamento de todo o sistema seria diretamente afetado.

Como o transporte público funciona de forma ininterrupta — incluindo fins de semana e feriados —, a estimativa da NTU indica que a redução da jornada para 40 horas semanais exigiria novas contratações, gerando um acréscimo de 15% nos gastos relacionados especificamente aos motoristas.

Em Curitiba, o sistema conta atualmente com pouco mais de 2,5 mil motoristas em atividade. No modelo vigente, o impacto financeiro de contratações adicionais recairia primeiro sobre a folha de pagamento das concessionárias, sendo posteriormente repassado à Urbanização de Curitiba (Urbs), responsável por gerenciar o sistema.

Curitiba busca alternativas para segurar tarifa de ônibus

Os passageiros da capital paranaense pagam a chamada tarifa social, fixada em R$ 6. No entanto, o custo real do sistema por passageiro, a chamada tarifa técnica, que é o valor repassado às empresas operadoras, é cerca de R$ 8. Quem cobre essa diferença é a prefeitura, por meio de subsídios públicos.

Procurada pela reportagem, a Urbs afirmou que aumentos nas despesas com funcionários devem impactar a tarifa técnica, ampliando a necessidade de aportes financeiros do poder público. O órgão ressaltou que, para manter o preço acessível aos passageiros, o suporte orçamentário precisará envolver um esforço conjunto entre Município, Estado e União.

Como alternativa para evitar o aumento de custos para o cidadão, a Urbs informou que está projetando receitas adicionais no desenho da nova concessão do transporte coletivo, atualmente em desenvolvimento. A meta é explorar comercialmente espaços publicitários nos ônibus, terminais e estações-tubo.

Fim da escala 6×1 pode reduzir frota em horários de menor movimento

Outro ponto que entrou no radar de debates sobre o fim da escala 6×1 é a possibilidade de redução da frota de ônibus. Para evitar a disparada de gastos com novas contratações, analistas alertam para o risco de as empresas diminuírem o número de veículos em circulação nos horários de menor movimento.

O professor Garrone Reck, do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que o pico de demanda ocorre de segunda a sexta-feira, enquanto sábados e domingos registram um movimento consideravelmente menor. Caso um modelo de escala 5×2 seja implantado, ele estima que o impacto total das horas de mão de obra remuneradas aumente entre 3% e 5%.

Angelo Gulin, presidente do Curitibus, entidade que representa exclusivamente as empresas operadoras do transporte coletivo de Curitiba, defende que o debate sobre a redução da jornada de trabalho seja conduzido com responsabilidade e diálogo.

“A melhoria das condições de trabalho é um objetivo legítimo e importante para toda a sociedade”, ressalta. “No entanto, qualquer mudança dessa magnitude precisa considerar a realidade operacional dos serviços essenciais, como o transporte coletivo urbano”, pontua Gulin.

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