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Parque Nacional do Iguaçu

Governo Lula lança edital para passeio nas Cataratas em área estadual sem aval do PR

Passeio do Macuco nas Cataratas do Iguaçu
Passeio do Macuco existe desde a década de 1980 nas Cataratas do Iguaçu. (Foto: Jonathan Campos/Governo do Paraná)

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Apesar do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) reconhecer no ano passado que a área onde ficam as Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), pertence ao estado do Paraná, o governo Lula lançou um edital de concessão dentro da área estadual.

A concessão — sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — trata do passeio do Macuco, um dos atrativos mais procurados por quem visita o parque. Por meio de botes, os visitantes navegam pelo rio Iguaçu até chegarem bem próximos dos saltos das Cataratas. Esse passeio existe desde 1986 e desde 2010 era de responsabilidade da empresa Ilha do Sol. O contrato, porém, venceu no ano passado.

Com o entendimento do TRF4 de que a área pertence ao Paraná — são 10,8 milhões de metros quadrados de terra, equivalente a cerca de 6% da área do parque —, o governo estadual alega que o edital desrespeita a Concessão de Direito Real de Uso. O leilão federal está marcado para 12 de agosto na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Por esse motivo, o governo do Paraná ameça judicializar o certame. Antes disso, porém, enviou ofícios para o ICMBio e para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) propondo alterações no edital, incluindo anuência da administração estadual. “É uma solução construída com espírito de cooperação e responsabilidade institucional”, disse o procurador-geral do estado do Paraná, Luciano Borges.

De acordo com o ICMBio, a receita total estimada nos 15 anos de concessão é de R$ 1,4 bilhão. No edital, o poder concedente receberá uma outorga fixa inicial de R$ 37,2 milhões, além de 6% sobre o receita operacional bruta. A projeção é de que R$ 167,6 milhões iriam para o ICMBio em arrecadação e iniciativas de preservação. Em 2024, foram repassados R$ 7,2 milhões de outorgas para o ICMBio. E o Paraná quer uma parte desse montante.

Em nota, o governo do estado afirmou que “a manutenção do certame licitatório nos moldes atualmente propostos desrespeita a propriedade estadual” e que “a ausência de ajuste bilateral prévio e a omissão na outorga da cessão onerosa podem levar à nulidade do processo.”

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com o ICMBio pedindo um posicionamento sobre o ofício do governo do Paraná, mas nenhuma resposta foi enviada. O espaço segue aberto para manifestação.

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Edital estima R$ 85 milhões de investimento no passeio do Macuco

O edital do passeio do Macuco nas Cataratas do Iguaçu prevê modernização de estruturas e equipamentos, ampliação da oferta de serviços, implementação de opções de mobilidade ativa, como trilhas e ciclovias, além do estabelecimento de uma nova política tarifária. Entre as medidas previstas estão a redução superior a 20% no valor de acesso ao atrativo, além de descontos para moradores do entorno e gratuidade para pessoas em situação de vulnerabilidade social inscritas no CadÚnico.

Os investimentos totais previstos ao longo dos 15 anos de concessão são estimados em R$ 85 milhões, enquanto a receita anual projetada é de R$ 93 milhões.

O projeto prevê a delegação do passeio terrestre e embarcado, além de outros serviços obrigatórios, como rafting e cachoeirismo, com a responsabilidade de modernizar os serviços prestados, garantir ampla acessibilidade e reduzir os impactos ambientais da operação. O investimento inicial, estimado em R$ 44,7 milhões, será destinado à reestruturação da infraestrutura e à modernização da frota utilizada no transporte de visitantes. 

Também está prevista a ampliação do centro de apoio aos visitantes, com a criação de sala expositiva com elementos de interpretação ambiental, espaço de alimentação, sanitários acessíveis, área de educação ambiental, espaço de descanso e sinalização inclusiva, em conformidade com a paisagem local, o plano de manejo do parque e os demais instrumentos de gestão. 

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Área das Cataratas do Iguaçu era propriedade particular na década de 1910

Conhecida antigamente como “Saltos de Santa Maria”, a área em litígio foi doada em 1910 pela União a um particular chamado Jesus Val — a doação foi feita por intermédio do então Ministério da Guerra. Em 1919, o estado do Paraná comprou a área e registrou a escritura no 2º Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de Foz do Iguaçu.

O imbróglio na Justiça começou em 2018, quando a União ingressou com uma ação judicial com o objetivo de cancelar a matrícula. Em primeira instância, na 1ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, a posição da União prevaleceu sob o argumento de que se trataria de uma área devoluta federal — um terreno público que não foi cedido ou ocupado legalmente por particulares. O estado do Paraná contestou e então recorreu ao TRF-4, que confirmou o entendimento em outubro do ano passado.

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