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Cappella Musicale Pontificia Sistina

O brasileiro que rompeu uma tradição de 600 anos e assumiu o coro mais antigo do mundo

Marcos Pavan é o primeiro maestro brasileiro e não italiano em 600 anos a comandar a Cappella Musicale Pontificia Sistina no Vaticano.
Monsenhor Marcos Pavan, maestro diretor do "coro do Papa" durante a turnê pelo Brasil. (Foto: Leandro Martins/LM7)

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Por seiscentos anos, a Cappella Musicale Pontificia Sistinao "Coro do Papa", responsável pela trilha sonora das celebrações mais solenes do Vaticano — teve à frente apenas maestros italianos. Em 2020, essa sequência ininterrupta foi quebrada.

O papa Francisco nomeou Marcos Pavan, presbítero católico nascido em São Paulo, como maestro diretor desse coro sem paralelo em longevidade no mundo ocidental. Pela primeira vez, Pavan acaba de trazer o coro ao Brasil, em turnê inédita pela América Latina.

O maestro diretor da Cappella Sistina responde pela formação musical e litúrgica de um coro que canta nas principais cerimônias do papado — da Semana Santa aos funerais de pontífices, incluindo o do próprio Francisco, em 2025. Antes de Pavan, o posto nunca havia sido ocupado por um estrangeiro.

A trajetória começou longe de Roma. Pavan formou-se musicalmente em São Paulo, com foco em canto e voz, e trabalhou como cantor lírico e regente antes de deixar o Brasil rumo à Itália, em 1991. Levou quase uma década para conquistar a primeira função dentro da Cappella Sistina: passou a comandar os meninos cantores do coro, conhecidos como Pueri Cantores.

Monsenhor Marcos Pavan rege o coro da Cappella Musicale Pontificia "Sistina" durante ensaio na Sala São Paulo.Monsenhor Marcos Pavan rege o coro na Sala São Paulo, considerado o principal espaço de concertos sinfônicos da América Latina, no encerramento da turnê brasileira. (Foto: Leandro Martins/LM7)

Ascensão foi construída ao longo de mais de duas décadas

Entre a chegada como maestro dos Pueri Cantores e a nomeação ao posto mais alto, Pavan passou 22 anos dentro da estrutura da Cappella Sistina — tempo suficiente para integrar o time de bastidores nos álbuns que o coro gravou pela gravadora histórica Deutsche Grammophon.

Pavan teve formação técnica rigorosa, décadas de serviço dentro da instituição e aprovação direta do papa. As apresentações de agora pelo continente integram as comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, e reforça o peso simbólico da escolha do país como estreia latino-americana do coro.

"O fato de Marcos Pavan exercer essa missão evidencia que músicos brasileiros podem alcançar posições de grande relevância no cenário internacional", afirma o músico e pesquisador Clayton Dias, de Campinas, um dos principais peritos brasileiros em missal romano. Para Dias, a trajetória do maestro funciona como incentivo a uma nova geração de regentes e musicólogos brasileiros dedicados à música sacra.

Missa na Catedral da Sé reuniu dois nomes brasileiros da música sacra

Em São Paulo, um dos momentos mais simbólicos da turnê aconteceu na Catedral da Sé. No dia 5 de julho, o coro se apresentou durante a celebração conduzida pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, que comanda a arquidiocese paulistana, seguida de concerto para o público presente.

No repertório sob a batuta de Pavan, além do canto gregoriano e da polifonia renascentista, uma faixa cantada em português chamou atenção: "Alegrai-vos", de autoria do padre José Weber, referência da composição sacra brasileira atual — que acompanhou de perto a apresentação da própria obra.

O encontro colocou lado a lado, na mesma celebração, dois sacerdotes-músicos brasileiros com papel de destaque na música sacra — um regendo o coro mais antigo do mundo em Roma e o outro tendo a própria obra interpretada pelo coro, em português, dentro da catedral mais importante de São Paulo.

Além do comando musical, a presença de um brasileiro à frente da Cappella Sistina cria uma ponte prática entre a tradição musical cultivada pela Santa Sé e o cenário brasileiro — o tipo de intercâmbio que, segundo Clayton Dias, pode incentivar projetos de formação e pesquisa em música sacra no Brasil, área que ainda busca consolidação em relação à tradição europeia.

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