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Porto de Paranaguá recebe cerca de um terço de todos os fertilizantes importados da Rússia pelo mercado brasileiro
Porto de Paranaguá recebe cerca de um terço de todos os fertilizantes importados da Rússia pelo mercado brasileiro| Foto: Divulgação / Portos do Paraná

O conflito deflagrado no leste europeu, após a invasão da Ucrânia pelo exército russo, pode trazer consequências graves para a economia e o agronegócio paranaense. O efeito vai desde o aumento nos valores de insumos necessários na produção de grãos no estado até uma escalada nos preços de produtos nas prateleiras de supermercados.

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Isso porque a Rússia é a maior fornecedora dos insumos utilizados na produção de fertilizantes no Brasil, e em consequência no Paraná. Ouvido pela Gazeta do Povo, o gerente executivo do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Paraná (Sindiadubos), Décio Luiz Gomes, explicou que apesar de o palco da guerra estar a milhares de quilômetros de distância, não há como escapar dos efeitos econômicos produzidos pelo conflito.

Segundo o diretor, 80% do volume de fertilizantes utilizados nas lavouras brasileiras correspondem a produtos importados. A dependência externa é ainda maior em relação a alguns produtos específicos, como o cloreto de potássio, utilizado na fabricação de adubos. “Nosso país importa 95% do volume utilizado por aqui. Os maiores produtores são Canadá, Belarus e a Rússia. Existe um Plano Nacional de Fertilizantes em discussão pelas autoridades em Brasília, que tenta diminuir essa dependência. Mas isso é algo que precisa ser pensado a muito longo prazo. No Brasil temos uma única mina de cloreto de potássio no estado de Sergipe, que atende esses 5% que o país não importa”, detalhou.

A análise é semelhante à do diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia. Um dos portos administrados por Garcia, o de Paranaguá, recebe uma de cada três toneladas de fertilizantes importados da Rússia pelo mercado brasileiro. Segundo ele, a situação desse mercado já enfrentava instabilidades antes mesmo da invasão russa à Ucrânia.

Rússia sinalizou que irá segurar exportação de fertilizantes

“Antes dessa crise toda que estourou com a invasão, Belarus já estava com dificuldades para exportar seus produtos. Já vínhamos com o setor combalido. Agora, entra em cena essa crise na Rússia, que já sinalizou que vai segurar esses produtos por lá por enquanto. A situação já era alarmante, e esse conflito vai impactar primeiro na alta do preço desses insumos, que certamente vão entrar em falta. Um fornecedor que poderia entrar em ação seria o Canadá, mas mesmo sendo um grande produtor não tem condições sozinho de atender essa demanda deixada em aberto pela Rússia e por Belarus”, apontou.

Os impactos, dizem os entrevistados, devem ser sentidos com mais intensidade no mercado paranaense a partir do segundo semestre. Isso porque, como explicou o gerente do Sindiadubos, os maiores produtores rurais já haviam antecipado as compras. “Para essa safra de 2022 a impressão que temos é de que poderá haver alguns casos pontuais de falta de fertilizantes. Esses produtores já estão com esses produtos comprados, em alguns casos já estocado, em outros casos nos navios a caminho do Brasil. O que nós imaginamos de potencial prejuízo é nas safras do segundo semestre. Essas sim poderão sofrer com uma indisponibilidade severa de fertilizantes”, alertou Gomes.

Falta de fertilizantes terá efeito cascata no preço dos alimentos

O administrador do Porto de Paranaguá lembrou que o mercado de fretes marítimos já vinha sofrendo uma alta nos custos devido à pandemia. “Agora, o petróleo bateu na casa dos US$105 o barril. É o maior valor em muito tempo, e isso acaba contribuindo para custos ainda maiores de frete, o que impacta no preço final de todos os produtos, desde os insumos utilizados na produção até o preço final na prateleira do mercado”, comentou.

“No final das contas”, disse Garcia, “isso se reflete na movimentação aqui do Porto de Paranaguá. E isso não é só no Paraná, mas também envolve Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraguai. Tem cargas de fertilizantes que entram aqui em Paranaguá com destino final em Rondônia. Toda essa cadeia pode sofrer, e o porto naturalmente acompanha esse movimento".

"Quando aumenta a produção e a exportação, a nossa movimentação aumenta, e assim é também no sentido contrário, quando a produção cai e a importação segue no mesmo caminho. É um cenário, por enquanto de conjecturas, suposições. Estamos acompanhando as análises de mercado, mas é um momento de apreensão, certamente. O efeito, todos sabemos, será o aumento nos custos da produção. Aumentando esse custo, os efeitos vêm em cadeia, como aumento da inflação e diminuição do poder de compra da população. Sobe o adubo, sobe a soja, sobe o óleo, sobe a ração, sobe o preço da carne de frango. É um efeito em cadeia”, pontuou.

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