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Mais de 30 anos após a desativação do antigo teleférico, Matinhos (PR) retoma o projeto para recuperar um de seus principais pontos turísticos. A prefeitura articula a implantação de um novo equipamento no Morro do Escalvado, conforme a Gazeta do Povo noticiou em setembro de 2025, agora em etapa de estudos técnicos e ambientais.
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Paralelamente, o município negocia possíveis desapropriações de imóveis localizados na base do morro para viabilizar a obra. No fim de junho, o projeto foi debatido entre representantes da prefeitura e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, onde está localizado o Morro do Escalvado.
Por estar situado integralmente em uma área de preservação da Mata Atlântica e sob jurisdição federal, a proposta será construída em conjunto com os órgãos ambientais. Segundo a secretária de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Cultura de Matinhos, Kássia Novochadlo, a publicação do plano de manejo do parque, em abril de 2024, tornou o projeto viável.
“Quanto às outras questões, ainda é muito prematuro. As conversas estão iniciando sobre de quem vai ser a responsabilidade e como será feita a concessão”, afirma a secretária. Kássia reforça que, no momento, o foco central é a convergência de interesses entre os órgãos.
ICMBio deve assumir licitação do novo teleférico de Matinhos
O processo licitatório e a gestão deverão ficar a cargo do ICMBio, que possui a prerrogativa de terceirizar a operação — modelo similar ao utilizado no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. O acordo estabelece que a prefeitura atuará como articuladora, assumindo a responsabilidade de viabilizar e adiantar os estudos técnicos.
A medida visa dar celeridade ao processo, já que o teleférico de Matinhos não figura entre as prioridades orçamentárias imediatas do ICMBio, que tem focado esforços em outras unidades, como o Parque Nacional do Ariri.
Os estudos técnicos deverão ser conduzidos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio da Fundação da universidade (Funpar), com a qual já existe contrato. Além disso, está prevista uma reunião com a Unipraias, empresa que opera o teleférico em Balneário Camboriú (SC).
As tratativas para a regularização fundiária da área, etapa essencial para amparar o projeto com segurança jurídica, também avançaram. O processo de desapropriação e a definição de titularidades para os acessos estão adiantados, restando uma propriedade privada na área, que pertenceria ao antigo dono do teleférico.
O encontro entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o ICMBio para tratar da regularização fundiária do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange foi intermediado pelo deputado estadual Goura (PDT).
Teleférico pode reduzir tempo de resgate no Morro do Escalvado
Com cerca de 224 metros de altitude, o Morro do Escalvado é um dos principais atrativos de Matinhos. O acesso ao topo é feito por uma trilha de aproximadamente 800 metros, considerada de dificuldade fácil a moderada. O percurso leva entre 15 e 30 minutos, dependendo do ritmo da caminhada. Ao longo do trajeto ainda é possível encontrar vestígios da antiga estrutura do teleférico.
Localizado a 500 metros do centro do município, no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, o local atraía visitantes nos anos 1990 até que a estrutura anterior do teleférico foi desativada, após uma tragédia que resultou na morte de três pessoas.
Além do potencial turístico, o Morro do Escalvado também apresenta desafios para as equipes de resgate. Segundo a 2ª tenente Luana Mara Pessanha, do 8º Batalhão de Bombeiro Militar do Paraná, a região exige atenção dos visitantes devido ao relevo acidentado e à presença de pedras escorregadias em alguns pontos da trilha. “Isso aumenta os riscos de entorses e escorregões, principalmente durante ou após condições climáticas de chuva e umidade”, explica.
O maior desafio para as equipes de resgate é a retirada das vítimas em macas por causa do terreno e do difícil acesso.
“A cada minuto de descida em uma caminhada normal, a equipe leva cerca de sete minutos quando transporta uma vítima na maca”, detalha Pessanha. “O sistema do teleférico contribuiria porque facilita o deslocamento das equipes e o transporte dos equipamentos de salvamento e resgate, isso reduziria o tempo de resposta nas ocorrências”, conclui.
A reportagem procurou os representantes do ICMBio de Matinhos e tenta contado desde sexta-feira (26/06), mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.




