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Walter Neiva: técnica e paixão ao levar a ópera às novas gerações
Walter Neiva cultivou desde menino a paixão pela ópera| Foto: Divulgação / Fundação Cultural de Curitiba

Não houve espera nem tempo para digerir. O encanto que o diretor cênico Walter Neiva teve pela ópera foi arrebatador e imediato. Aconteceu quando ainda era muito jovem e moldou seus objetivos de vida, fazendo com que se voltasse para o mundo das artes no Brasil e incutiu nele a vontade de levar aos “novos jovens” a magia do teatro cantado. Além de diretor, era cenógrafo, e durante a carreira dedicou-se com exclusividade à sua maior paixão: a encenação de óperas. Entre suas atuações em Curitiba, o destaque fica com a frutífera colaboração com a Oficina de Música de Curitiba. Walter morreu no dia 26 de maio, aos 65 anos, vítima de um infarto.

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Natural de São Paulo, ele teve suas montagens encenadas nos palcos mais almejados do Brasil, como o Teatro Amazonas, em Manaus, o Theatro da Paz, em Belém, o Theatro São Pedro de São Paulo, o Teatro Guaíra, em Curitiba e o Theatro Municipal de São Paulo. Foi neste último que ele fez o primeiro estágio na área, de 1976 a 1986. Três anos depois, estreou como diretor com uma produção de Mozart, “Cosi Fan Tutte”, encenada em São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Rio de Janeiro. “O Walter tinha um respeito pelo espetáculo como um todo. E por ser paisagista e cenógrafo, ele também colaborava com essa parte da produção de alguns espetáculos”, conta Abel Rocha, regente da Orquestra Sinfônica de Santo André, professor de Regência da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e parceiro de Walter em diversos espetáculos, inclusive na Oficina de Música de Curitiba, realizada pela Fundação Cultural de Curitiba.

A função de diretor, além da parte artística, envolve a capacidade de gestão e de organização da montagem como um todo. Habilidades nas quais Walter era mestre. Conhecedor profundo do setor em que atuava, provava que, com inteligência, um espetáculo pode ter uma cenografia muito interessante sem custar caro, por exemplo. Sempre sabia onde encontrar materiais baratos e de qualidade. “Quando você é artista e entra em um cargo de direção, precisa ser estratégico e lidar com logística, especialmente em turnês. O Walter tinha essa responsabilidade e se dedicou a fazer isso de forma muito funcional”, complementa Abel.

O diretor levou seu talento para fora do país, assinando montagens na Polônia, Holanda e Colômbia. No início da década de 1990, completou os estudos na Alemanha. Ao longo da carreira, encenou óperas dos compositores Mozart, Rossini, Verdi, Gerschwin, Puccini, Menotti, Donizetti, Guarnieri, Mascagni, entre outros celebrados nomes da música mundial. Uma característica marcante das criações de Walter era o trabalho com os cantores. Portador de um vasto conhecimento sobre seu repertório e apaixonado pela expressão vocal como um todo, dinamizava a atuação dos cantores e cantoras com movimentação e elementos aparentemente simples.

Há oito anos, compartilhava no rádio seus conhecimentos sobre música e levava aos ouvintes as novidades internacionais no campo da ópera por meio do programa que apresentava na Rádio Cultura FM, o “Seguindo a Ópera”. Nos palcos ou fora deles, colocava muita energia na tarefa de tornar a ópera acessível para as novas gerações, para que pudessem se apaixonar por ela assim como ele se apaixonou quando jovem.

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