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Câmeras terão reconhecimento facial e são “à prova” de vandalismo
Câmeras terão reconhecimento facial e são “à prova” de vandalismo| Foto: Divulgação

Foi instalado no campus do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), no bairro Cidade Industrial de Curitiba, um poste inteligente que promete ser uma ferramenta eficaz de vigilância e combate à criminalidade. O protótipo foi desenvolvido pela empresa curitibana L8 Group e conta com duas câmeras, que capturam imagens ao vivo e são capazes de fazer identificação facial. O poste vem equipado com um botão de emergência para acionamento da polícia, ou guarda municipal. Curitiba já teve uma proposta muito semelhante, em 1998, quando Jaime Lerner era governador e implantou dezenas de totens para contato direto com a Polícia Militar. Na ocasião, os equipamentos sofreram com o vandalismo e a ideia não foi pra frente. Desta vez, segundo os desenvolvedores, os postes vêm com tecnologias mais assertivas e trazem soluções contra depredações.

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O poste diferenciado integra um edital de inovação do Tecpar que visa apresentar soluções inteligentes para o desenvolvimento das cidades. São oito inovações paranaenses selecionadas que estão no Living Lab, programa que vai monitorar e testar as ideias de serviços ou produtos tecnológicos para comprovar sua eficiência.

Leandro Kuhn, CEO da L8, empresa responsável pelo equipamento, conta que muitos são os possíveis usos do poste, que pode ser instalado em locais movimentados como praças, terminais de ônibus, pontos turísticos, escolas, supermercados e estacionamentos.

"Além de gerar segurança para os usuários da área em que é instalado, o poste pode ter outras finalidades como reconhecimento facial - que pode contribuir para a localização de foragidos ou mesmo pessoas desaparecidas-, reconhecimento de placas - identificando carros em situação irregular - e medição de temperatura dos usuários próximos ao dispositivo", detalhou.

O equipamento de segurança conta com duas câmeras: uma com visão de 360° e outra para monitoramento e auxílio na conversa com o centro de controle. Ao acioná-lo o usuário consegue conversar com o órgão que está prestando o atendimento. Existe a possibilidade de que ele emita um sinal sonoro dependendo da situação. Também possui internet wi-fi independente, permitindo, entre outras funcionalidades, o acionamento automático da iluminação local.

"É preciso pensar no equipamento como um 'Lego', em que podemos montá-lo de diversas formas conforme a necessidade", explicou o CEO.

A L8 Group já disponibilizou a solução para o interior de São Paulo, Belo Horizonte e quer colocar a ideia em funcionamento em mais municípios.

"O poste custa a partir de R$18 mil já com a câmera. É um valor totalmente acessível para prefeituras, levando em consideração o importante investimento na segurança pública", explicou.

Empresas também pode contar com a inovação para segurança particular. A solução é capaz de atingir um raio de até um quilômetro para o monitoramento e identificar centenas de pessoas ao mesmo tempo.

Versão melhorada

Iniciativa que ficou conhecida no governo Jaime Lerner, os totens da Polícia Militar chamaram a atenção, mas pouco foram efetivamente utilizados. As estruturas foram espalhadas por Curitiba e outras cidades do Paraná a partir de 1998. A tecnologia da época era muito diferente e a ideia consistia que o usuário apenas apertasse o botão de emergência para que, em seguida, uma viatura fosse enviada para atender o local. Porém,o modelo não trouxe nenhuma mudança na estrutura do atendimento da PM e os totens foram alvo de vandalismo e foram desativados.

Kuhn esclarece que os novos postes são substancialmente mais eficazes.

"A tecnologia evoluiu muito e entregamos muito mais eficiência. Antes era necessário que uma pessoa monitorasse o que acontecia, agora, automaticamente temos esse controle. Além disso, em caso de vandalismo o equipamento não fica off-line, segue funcionando e a imagem é enviada à polícia. São mais de 50 tecnologias diferentes que podemos contar em um único poste", finalizou. Só o tempo dirá se a solução, afinal, trará ainda mais perto da realidade a tecnologia antevista no romance 1984, de George Orwell, de um grande irmão (big brother) que vigia tudo e todos, o tempo todo.

Poste tem funcionamento parecido com totens do final dos anos 90, que não deram certo
Poste tem funcionamento parecido com totens do final dos anos 90, que não deram certo| Divulgação
Dezenas de totens foram instalados pelo governo Lerner no final dos 90, mas não resistiram ao vandalismo
Dezenas de totens foram instalados pelo governo Lerner no final dos 90, mas não resistiram ao vandalismo| Aniele Nascimento / Arquivo Gazeta do Povo
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