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Logística

Paraná aumenta exportações por via aérea

Avião da Cargolux no aeroporto Afonso Pena
Cargolux é uma das companhias aéreas cargueiras que operam no aeroporto Afonso Pena. (Foto: Divulgação/Motiva)

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O aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, movimentou 1.489 toneladas de carga para exportação no primeiro semestre de 2026, uma alta de 12,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando transportou 1.322 toneladas.

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Esse aumento consolida o modal aéreo como via de exportação de produtos do Paraná. E acompanha também um movimento nacional de aumento de exportações aeroviárias.

Lilian Françoso, gerente de Cargas da Motiva Aeroportos, concessionária responsável pela administração do Afonso Pena, afirma que o resultado reflete os esforços para diversificar o perfil de mercadorias no terminal. Segundo ela, o predomínio de maquinário e autopeças confirma a força dos polos automotivo e de equipamentos no estado.

“O Paraná abriga importantes polos industriais e cadeias produtivas altamente integradas, que dependem de soluções logísticas ágeis e confiáveis”, explica. Nos bastidores, a executiva conta que a parceria entre a Motiva e a operadora PacLog tem investido na modernização do terminal, com foco em agilidade operacional e ampliação da capacidade para cargas de alto valor agregado.

Empresas mudam a lógica do frete para colocar o avião como modal

Quem sente esse movimento na ponta é Murilo Morais, despachante aduaneiro e diretor da empresa Solução Comércio Exterior e Transportes. Ele confirma que autopeças, produtos odontológicos, calçados e itens industriais puxam a alta no Terminal de Carga Aérea (TECA) de Curitiba. “O modal aéreo voltou a ganhar força principalmente pela necessidade de as empresas reduzirem prazos de entrega, manterem estoques mais enxutos e atenderem demandas urgentes de produção”, diz.

Morais avalia que o avanço reflete uma mudança de postura do mercado: menos foco no menor custo absoluto e mais busca pelo equilíbrio entre custo, prazo e confiabilidade. “Isso fez com que o transporte aéreo deixasse de ser utilizado apenas em situações emergenciais e passasse a integrar o planejamento logístico definitivo”, aponta.

O especialista ressalta um detalhe curioso da operação da Cargolux no Afonso Pena: a rota cargueira que sai de Curitiba faz escala obrigatória em Quito, no Equador, antes de seguir para a Europa — destino final mais tradicional das cargas paranaenses.

A explicação está na engenharia logística do voo. Ao pousar na capital equatoriana, a aeronave completa os porões com flores locais antes de cruzar o Atlântico, estratégia que garante uma tarifa de frete mais vantajosa para os exportadores do Paraná. Já quando o envio é feito via modal rodoviário para posterior embarque em aeroportos como Guarulhos (SP), Viracopos (SP) e Galeão (RJ), os destinos principais são Estados Unidos, América Latina, Europa e Ásia.

Mudança na estrutura do comércio global fomenta as exportações do Paraná

Para a economista Solidia Elizabeth dos Santos, o salto de 43% nas exportações aéreas brasileiras no primeiro trimestre reflete a combinação de fatores macroeconômicos e mudanças estruturais no comércio global. “Esse resultado vem da interação de vários fatores: a maior competitividade dos produtos brasileiros favorecida pelo câmbio, o avanço do comércio eletrônico, melhorias na infraestrutura logística e a recuperação da demanda internacional”, explica.

Solidia comenta que o real depreciado frente ao dólar barateou os produtos brasileiros para o comprador estrangeiro, ao mesmo tempo em que o país avança na integração de suas empresas às cadeias globais de fornecimento. A economista destaca ainda que países como Estados Unidos e Canadá ampliaram a importação de produtos brasileiros de maior valor agregado — como farmacêuticos, eletrônicos, componentes industriais e itens de e-commerce —, mercadorias que, por exigirem rapidez e possuírem alto valor por unidade de peso, tornam o modal aéreo financeiramente atrativo.

Ela também credita parte do avanço aos investimentos na conectividade dos aeroportos do país, com ampliação de terminais de carga, novos armazéns e abertura de rotas internacionais.

“Esse movimento está muito mais relacionado a uma transformação estrutural das cadeias globais de suprimentos do que a um fenômeno pontual”, avalia a economista, lembrando que, desde a pandemia, empresas ao redor do mundo passaram a diversificar fornecedores para criar redes de suprimento mais resilientes.

Para Solidia, essa reorganização abre janelas para o Brasil em setores como agronegócio, saúde, tecnologia, mineração, aeronáutica e indústria de transformação — desde que o país siga investindo em infraestrutura, reduza a burocracia aduaneira e avance em acordos comerciais.

Alguns gargalos ainda travam o crescimento das exportações por aviões

Apesar dos bons números, Murilo Morais pondera que o setor ainda enfrenta gargalos relevantes, como a necessidade de ampliar a oferta de voos cargueiros diretos, modernizar a infraestrutura de apoio e agilizar o desembaraço aduaneiro. O despachante também aponta que as incertezas na política tarifária dos Estados Unidos têm levado os exportadores paranaenses a buscarem ativamente novos mercados, com foco na América Latina, União Europeia, Oriente Médio e Ásia.

Na Motiva Aeroportos, a projeção para o segundo semestre no Paraná permanece otimista. “A tendência é de que a curva de crescimento se mantenha e a gente consiga fechar 2026 com um volume de exportações superior ao de 2025”, prevê Lilian Françoso, apostando especialmente no setor automotivo regional.

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