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Líder absoluto no abate e na produção de carne de frango no Brasil, o Paraná registra um momento de crescimento nas granjas, mas também exige atenção máxima nas divisas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado fechou o primeiro semestre de 2026 consolidado no topo do ranking nacional: sozinho, o Paraná responde por 35% de todos os frangos abatidos no país e por 36% de todo o volume de carne produzido.
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Para manter a produção rodando sem sobressaltos, o setor agropecuário paranaense acelerou as ações de vigilância sanitária. A movimentação ocorre para blindar as granjas locais e dar garantias ao mercado internacional após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle no vizinho estado de Santa Catarina.
A meta é demonstrar às autoridades do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e aos compradores estrangeiros que o plantel paranaense segue seguro e livre de infecções.
Os números da Pesquisa Trimestral de Abates de Animais do IBGE evidenciam a dimensão da avicultura paranaense. Nos primeiros seis meses de 2026, o Paraná abateu 1,188 bilhão de cabeças de frango — um aumento de 4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em volume de carne, o salto foi ainda maior: crescimento de 8,4%, atingindo 2,688 milhões de toneladas entre janeiro e junho.
No cenário nacional, o Brasil abateu 3,395 bilhões de aves no semestre (+3,2%). Do ganho total de produção do país, grande parte saiu das granjas e frigoríficos instalados em solo paranaense. A Região Sul, somando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, concentra quase 60% da avicultura brasileira.
Blitz nas divisas e vigilância no campo
Diante do alerta sanitário registrado no estado vizinho, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) montou um cerco preventivo. Fiscais atuam em postos fixos nas divisas estaduais e em operações volantes nas estradas do interior para checar caminhões de transporte de aves vivas, verificar a higienização deles e vistoriar as Guias de Trânsito Animal (GTA).
Segundo a Adapar, os últimos ciclos de monitoramento nas granjas paranaenses — que inspecionaram centenas de propriedades rurais em mais de 180 municípios — apresentaram 100% de resultados negativos para Newcastle e Influenza Aviária. Além disso, todas as investigações de suspeitas notificadas em 2025 e 2026 foram descartadas.
A orientação repassada aos produtores rurais é de tolerância zero com descuidos. A Adapar orienta os produtores a manter telas protetoras intactas para evitar o contato com aves silvestres, proibir visitas desnecessárias, controlar o tráfego de veículos e desinfetar rigorosamente os equipamentos.
Sem risco na mesa do consumidor
Especialistas reforçam que a Doença de Newcastle é um problema focado no impacto econômico para as aves, sem risco para quem consome carne ou ovos. A doença não é transmitida pelo consumo de alimentos.
“O vírus pode eventualmente e raramente atingir pessoas que trabalham diretamente no manejo de aves doentes, causando apenas uma conjuntivite leve e passageira”, explica a médica veterinária e professora Gisela Geraldine Castilho-Westphal, docente da Universidade Positivo (UP).
O grande perigo do vírus está no galpão. A doença tem altíssima taxa de contágio e mortalidade entre as aves, o que exige o abate sanitário de todo o lote atingido. Por essa razão, os países compradores impõem barreiras imediatas assim que um caso é notificado.
Diplomacia e foco no mercado internacional
A suspensão temporária das compras pelo México — mercado que absorveu cerca de 85 mil toneladas da carne paranaense nos primeiros nove meses de 2026 — acendeu o sinal de alerta nas indústrias, mas sem motivo para pânico.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o setor trabalha em conjunto com o governo federal para demonstrar aos importadores a eficácia do sistema de regionalização. O conceito permite isolar o local onde ocorreu o foco epidemiológico (em um raio de 10 km) e manter as exportações das demais regiões do país que permanecem limpas, como é o caso do Paraná.
“A dimensão em volume das suspensões até aqui anunciadas não justifica a necessidade de estocagem ou redução de ritmo nas plantas produtoras. O impacto em volume é pequeno e cerca de 66% de tudo o que produzimos fica no próprio mercado interno”, avalia Santin, ressaltando que não há risco de sobreoferta ou desabastecimento local.
Com mais de 1,8 milhão de toneladas de carne de frango já embarcadas ao exterior entre janeiro e setembro de 2026 — gerando uma receita superior a US$ 3,3 bilhões para o estado —, o Paraná aposta no rigor do seu sistema sanitário para manter abertas as portas de seus mais de 150 destinos internacionais, liderados por Emirados Árabes Unidos, China, México, Japão e Arábia Saudita.



