Dados da Secretaria Estadual de Saúde indicam que 4 mil pacientes deixaram suas cidades para se internarem em outras regionais de saúde
Dados da Secretaria Estadual de Saúde indicam que 4 mil pacientes deixaram suas cidades para se internarem em outras regionais de saúde| Foto: Divulgação SESA

No Paraná, desde o início da pandemia do coronavírus até agora, 4.319 pessoas saíram de suas cidades para serem atendidas em outras regionais de saúde no estado, através da Central de Regulação de Leitos, que é organizada pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Esse número representa 8,93% do total de pacientes regulados e, segundo a secretaria, os meses de fevereiro e março tiveram destaque nessas transferências tanto entre as 22 regionais de saúde existentes no Paraná, quanto entre as macroregiões, que são Leste, Oeste, Norte e Noroeste.

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Isso se justifica, segundo o médico infectologista Bernardo Almeida, pelo crescimento da Covid-19 no Paraná nesse período, especialmente em março, que contribuiu para o aumento na fila de espera por internamento. "Esse dado das transferências é um número representativo. É um sinal do colapso do sistema de saúde, de não ter atendimento e você ter que lançar mão de outros locais, o mais rápido possível", explica o especialista, que faz parte do Serviço de Epidemiologia do Hospital de Clínicas da UFPR.

De acordo com dados disponibilizados pela Sesa, a dificuldade em encontrar leitos foi crescendo no início do ano. No dia 1º de fevereiro, 54 pessoas aguardavam para serem internadas em leitos exclusivos para a Covid-19. No fim do mesmo mês, o número de pessoas que estavam na fila de espera já era de 555. 

No dia 1º de março, o número aumentou para 616 pacientes. E, ao longo do mês, atingiu picos de 1.071 no dia 8 de março e de 1.357, no dia 16. Até o fim daquele mês, já se via uma redução. No dia 31 de março, eram 735 pessoas que aguardaram por um leito.

Em abril, nova redução. Eram 740 pacientes registrados no dia 1º e, no dia 7, quarta-feira última, eram 420. Os dados não representam pessoas desassistidas de cuidados, mas que apenas não estavam internadas em leitos de UTI ou clínicos naquele momento.  

Ainda de acordo com a secretaria estadual, o remanejamento de pacientes é comum e pode ocorrer tanto entre as regionais de saúde de cada macrorregião quanto entre as macrorregiões. O que influencia na escolha são a disponibilidade de leitos e qual atendimento será mais rápido e melhor ao paciente.

Lista de espera em queda

A redução vista agora em abril pode ser uma repercussão das medidas de restrição adotadas por diferentes cidades no estado, segundo Bernardo Almeida, médico infectologista.

"Provavelmente esse aumento nas transferências ocorreu justamente nesse incremento da fila de espera para internamento que, felizmente, está em queda. Provavelmente por causa do efeito positivo dos decretos e isso repercutiu positivamente, até o momento, na fila de internamento", explica o médico infectologista. 

Segundo Almeida, não é possível dizer ainda que os internamentos pela Covid-19 reduziram no estado, porque há uma demanda reprimida. "Mas, quando zerar a fila, vamos sentir a redução nos internamentos também. Até lá, a pressão nos sistemas de saúde ainda é alta", reforça.

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