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Com cerca de 3,7 milhões de habitantes em 29 municípios, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) é a oitava mais populosa do Brasil e a segunda maior em extensão territorial, com mais de 16,5 mil quilômetros quadrados. Esse crescimento levou problemas antes restritos à capital a ultrapassarem suas fronteiras, exigindo soluções conjuntas para mobilidade, habitação, saneamento e preservação ambiental. Essa realidade aparece pela primeira vez de forma estruturada na revisão do Plano Diretor de Curitiba.
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A proposta entregue à Câmara Municipal destina um capítulo à integração metropolitana e reconhece que planejar o futuro da capital exige pensar na relação com os municípios vizinhos.
Diariamente, milhares de pessoas deixam cidades como São José dos Pinhais, Colombo, Pinhais, Fazenda Rio Grande, Araucária e Almirante Tamandaré para trabalhar, estudar ou acessar serviços em Curitiba. Ao mesmo tempo, atividades econômicas, redes de transporte e desafios ambientais formam uma dinâmica única em toda a região.
Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), essa mudança aproxima o Plano Diretor do Estatuto da Metrópole e do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), fortalecendo a cooperação entre os municípios.
O Ippuc reforça que Curitiba ocupa naturalmente a posição de município-polo da Região Metropolitana, mas diversos desafios urbanos já não podem ser resolvidos isoladamente. A mobilidade é o exemplo mais evidente, pois milhares de pessoas cruzam diariamente os limites municipais no sistema integrado de transporte. A necessidade de planejamento conjunto também engloba drenagem, saneamento, gestão de resíduos sólidos, mudanças climáticas e ocupação do território.
Para o instituto, quanto maior a coordenação entre Curitiba, os demais municípios da RMC e o governo do Paraná, maiores serão as possibilidades de construir soluções eficientes e sustentáveis para a população.
Plano Diretor de Curitiba prevê obras para conectar a metrópole
A integração metropolitana também aparece em projetos estratégicos para os próximos anos. Entre eles estão: a ampliação da Linha Verde em direção a Colombo e Fazenda Rio Grande; a implantação de uma ligação estruturante de transporte coletivo entre o Centro de Curitiba e o Aeroporto Internacional Afonso Pena; e a consolidação de corredores que integrem diferentes modais.
Segundo o Ippuc, esses investimentos vão além da construção de novas vias. A proposta busca organizar o crescimento urbano da Região Metropolitana, reduzir o tempo de deslocamento da população e estimular o desenvolvimento econômico ao longo dos corredores.
O órgão ressalta que o Plano Diretor não executa as obras, mas estabelece diretrizes para orientar futuras decisões de investimento dos municípios, do estado e da União. A intenção é criar uma visão compartilhada para que projetos estruturantes ocorram de forma integrada, com maior previsibilidade e articulação entre os entes públicos.
Para quem mora na Região Metropolitana e trabalha ou estuda em Curitiba, a expectativa é de que a integração fortaleça a Rede Integrada de Transporte (RIT), amplie a conexão entre diferentes modais e facilite o acesso a empregos, educação e saúde.
Integração avança em projetos de mobilidade
Para o presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), Gilson Santos, reconhecer Curitiba como uma cidade metropolitana no Plano Diretor representa um avanço significativo. “É importante lembrar que a capital também é uma cidade metropolitana e, justamente por ser a metrópole, é a que mais se relaciona com as temáticas metropolitanas”, afirma.
Segundo ele, a mobilidade urbana continua como o principal desafio compartilhado entre Curitiba e os municípios vizinhos. “É urgente rever a priorização de políticas voltadas ao veículo particular, que acabam gerando impactos negativos no transporte coletivo e no dia a dia do cidadão. Também precisamos avançar na preservação dos mananciais e na promoção ordenada da habitação de interesse social”, diz.
Na avaliação do presidente da Amep, alguns resultados podem aparecer mais rapidamente na ampliação da infraestrutura do transporte coletivo, com novas canaletas, faixas exclusivas e melhorias nas ligações entre Curitiba e os municípios do primeiro anel metropolitano. Outra expectativa é fortalecer políticas habitacionais que reduzam a migração da população da capital para cidades vizinhas em busca de moradia.
Santos afirma que parte dessa integração já ocorre por meio de projetos desenvolvidos em conjunto por Amep, Urbs e Ippuc. Entre eles estão o BRT Norte-Sul Metropolitano, o VLT Expresso Metropolitano, novos terminais de ônibus, pontes de ligação intermunicipais e novos eixos viários. “Esses projetos já estão sendo discutidos de forma integrada e dialogam diretamente com as diretrizes previstas na revisão do Plano Diretor de Curitiba”, afirma.






