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As obras do novo Porto Seco de Foz do Iguaçu, cuja conclusão está prevista para dezembro de 2026, ocorrem em ritmo acelerado. Já a obra estrutural de acesso pela rodovia BR-277, considerada estratégica para absorver o aumento do fluxo de caminhões, tem cronograma contratual mais longo, com previsão de execução até 2030. O descompasso entre os dois calendários mobiliza entidades empresariais que defendem a necessidade de antecipação da intervenção viária.
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A Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (Acifi) lidera um movimento com representantes do comércio, turismo e logística para cobrar a adequação da rodovia antes da entrada em operação do novo terminal aduaneiro. Um estudo técnico elaborado pelas entidades foi encaminhado a órgãos estaduais e federais, além da concessionária EPR Iguaçu, responsável pelo trecho da BR-277.
O documento alerta que a entrega do Porto Seco em Foz, somada à expansão do setor logístico, deve intensificar o tráfego de veículos pesados e superpesados na região. A BR-277, principal corredor rodoviário da região oeste do Paraná, integra o hub logístico da região trinacional entre Brasil, Paraguai e Argentina e, em Foz do Iguaçu, exerce simultaneamente funções de corredor de longa distância, via urbana e ligação direta com áreas industriais e logísticas.
Atraso em obra do porto seco em Foz pode render multa de R$ 250 mil ao mês
Segundo o presidente da Acifi, Danilo Vendruscolo, a concessionária Multilog, responsável pelo novo Porto Seco, acelerou o cronograma das obras. De acordo com ele, se o empreendimento não for entregue até o fim deste ano, há previsão de multa mensal em torno de R$ 250 mil a partir de janeiro de 2027.
A empresa, inclusive, apresentou à concessionária da rodovia um projeto de trincheira para o retorno de acesso ao novo Porto Seco, localizado pouco antes do posto da Polícia Rodoviária Federal em Foz. O projeto foi protocolado e está sob análise técnica.
No contrato de concessão da BR-277, está prevista a implantação de um acesso em desnível — originalmente no formato de elevatória —, porém com execução programada entre o sexto e o oitavo ano do contrato, o que projeta a entrega da estrutura para 2030. A proposta defendida pelas entidades é a antecipação da obra, substituindo a elevatória por uma trincheira, alternativa apontada como de menor custo.
Uma sugestão seria o governo do estado negociar com a concessionária EPR Iguaçu a possibilidade de antecipar a intervenção com recursos estaduais, com posterior compensação contratual, uma vez que a obra consta nas obrigações da concessão. À reportagem da Gazeta do Povo, o governo do estado afirmou não haver previsão de avanço nesse aspecto.
Enquanto isso, a preocupação central das entidades é que, caso o Porto Seco entre em operação sem o acesso adequado concluído, caminhões passem a utilizar as vias marginais da rodovia. O estudo técnico indica que essa situação pode pressionar a infraestrutura existente, afetando a fluidez do tráfego urbano e o acesso a bairros e áreas empresariais.
Além do acesso em desnível, o documento encaminhado aos órgãos públicos solicita outras melhorias, como passarelas para pedestres, ampliação e requalificação de ciclovias, implantação de faixas adicionais, reforço do pavimento das marginais e extensão dessas vias até Santa Terezinha de Itaipu.
Em nota, a EPR Iguaçu afirmou que mantém diálogo permanente com o poder concedente e lideranças locais sobre obras estratégicas para a mobilidade e o desenvolvimento regional. A concessionária pontuou que as melhorias solicitadas estão previstas no contrato para execução entre o sexto e o oitavo ano da concessão e que eventuais antecipações dependem de avaliação técnica e priorização do poder concedente, "preservando a segurança jurídica e o equilíbrio contratual".
A empresa também confirmou que analisa tecnicamente o projeto apresentado pela Multilog para implantação de um viaduto de acesso ao Porto Seco. Paralelamente, destacou ações contínuas de manutenção na BR-277, com mais de 600 quilômetros de pavimento requalificados, além de serviços de sinalização, drenagem, conservação e limpeza.









