produção de soja
Chuva preocupa principalmente os produtores de soja do Oeste e do Sudoeste| Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

As expectativas para a safra paranaense de soja continuam favoráveis, mas as chuvas quase diárias podem ter impacto na colheita, diminuindo a qualidade do produto. A principal preocupação é com o surgimento de pragas.

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A situação é de maior atenção no Oeste e no Sudoeste, áreas que respondem por aproximadamente 30% da produção paranaense. O tempo nublado também pode alongar o ciclo vegetativo do cultivo.

“Temos de avaliar como se comporta o clima nos próximos dias”, diz Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Uma dimensão maior da situação poderá ser feita quando as chuvas amenizarem e o produtor conseguir entrar em campo.

Previsão de safra boa, mas um pouco menor

A previsão do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, divulgada na quinta, é de que sejam colhidas cerca de 20,4 milhões de toneladas, 2% a menos em relação à passada. Mesmo com a redução, o economista diz que os resultados são muito bons. "Temos de lembrar que o ciclo anterior foi excepcional."

Independentemente dos impactos causados pelas chuvas, analistas dão como certo uma redução na produtividade. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que ela seja de 3.677 quilos por hectare, 6,3% a menos do que na anterior.

“O aumento na área plantada vai contribuir para essa queda”, ressalta Ana Paula Kowalski, técnica da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). No ciclo passado, foram 5,5 milhões hectares plantados com soja. No atual, 5,57 milhões de hectares, 1,3% a mais.

Bons preços devem continuar para o agricultor

Apesar das chuvas, a perspectiva é de que os bons preços continuem, pelo menos, no médio prazo. Ela não vê espaços para fortes altas. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) aponta que o preço médio da saca de 60 quilos de soja no Paraná estava, nesta quinta (28), a R$ 166,35, 104,81% a mais do que no mesmo dia de 2020. Em dólares, a variação é de 59,04%.

Com este cenário favorável, segundo o Deral, os produtores estão acelerando a comercialização. “Vai ser um bom ano”, ressalta Ana Paula.

Até agora, 43% da produção já está vendida, o que equivale a um volume de 8,9 milhões de toneladas. No ano passado, nessa mesma época, o percentual era de 26%, que correspondia a um volume de 5,2 milhões de toneladas.

Quatro pilares explicam o bom momento da oleaginosa: o câmbio desvalorizado e as fortes demandas externa e interna e os reduzidos estoques mundiais.

“A China, destino de 80% das exportações paranaenses de soja, continua com uma presença forte no mercado. O país asiático está recompondo seu plantel de suínos, que foi reduzido nos últimos anos por causa de uma epidemia de peste suína”, destaca o economista.

O peso da China na pauta de exportações paranaense não preocupa Garrido. Segundo ele, faz parte da dinâmica do mercado. Os asiáticos, segundo ele, têm uma população grande e estão consumindo mais. “São um mercado extremamente desenvolvido”, complementa a técnica da Faep.

Mesmo a tendência à amenizada nas tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos – um dos maiores concorrentes da soja brasileira -, com a posse de Joe Biden na Casa Branca, não deve gerar uma mudança no direcionamento das compras chinesas, avaliam os especialistas.

“Só os Estados Unidos não conseguem atender à demanda dos asiáticos”, aponta Garrido, do Deral. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) indicam para uma pequena queda de 0,85% na colheita, com redução de 0,97% na produtividade.

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