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Sul do Paraná aposta na criação de região turística para impulsionar economia local
Estátua do Cristo é o principal ponto turístico de União da Vitória, uma das cidades da recém-criada Região Turística Sul.| Foto: Prefeitura de União da Vitória/Divulgação.

Procurando uma forma de estimular o desenvolvimento da economia na região, cujo PIB dos participantes representa apenas 1,43% do que é produzido no Paraná, cidades do Sul do estado vão unir forças apostando no turismo. União da Vitória, São Mateus do Sul, General Carneiro, Bituruna, Porto Vitória, Paula Freitas, Paulo Frontin, Cruz Machado, Pinhão e Antônio Olinto criaram em março, quando o pedido foi validado pelo governo, a Região Turística Sul do Paraná, a 15ª RT paranaense.

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Esses municípios já estavam juntos, integrando com outros representantes do Centro e do Sul do Paraná, a RT Terra dos Pinheirais, mas optaram por formar um novo grupo, baseado na proximidade cultural e geográfica entre os vizinhos. "Preferiram trabalhar com uma região menor, mas com mais força", explica a diretora técnica da Paraná Turismo, autarquia do governo paranaense que cuida do setor, Isabella Tioqueta.

São duas as principais frentes que devem ser exploradas nessas localidades: o turismo religioso e o turismo da produção de vinho e erva-mate. No primeiro caso, a estratégia é usar os diversos santuários e monumentos espalhados pelos municípios para arregimentar novos visitantes. Os destinos com apelo espiritual estão entre os segmentos de maior destaque no estado.

A segunda opção é reforçar o que as microrregiões já têm como cartão de visitas. Produtores da erva em São Mateus do Sul e Antônio Olinto têm a IG Mathe, selo da indicação geográfica da erva-mate que garante que a produção segue legislação ambiental, sanitária e trabalhista, e que o cultivo é feito sob sombreamento de espécies nativas da Mata Atlântica. Já a produção de vinho em Bituruna está a poucos passos de conquistar o selo INPI, de indicação geográfica para duas variedades de uva: bourdeaux e casca dura. O registro permite delimitar uma área geográfica, restringindo o uso de seu nome aos produtores e prestadores de serviços da região. Os selos, atestados de qualidade, devem servir de incentivo para ampliar a atração de turistas - especialmente nesse momento de retomada pós-pandemia.

“Estamos apostando que com a retomada do turismo, as pessoas vão viajar. Temos a expectativa de atrair um grande volume de turistas num raio de 240 km para nossa região”, comenta Daiane Scolaro, coordenadora de Turismo de União da Vitória e presidente da Associação de Turismo e Meio Ambiente do Vale do Iguaçu (Atema), instância de Governança Regional (IGR), responsável para fazer a gestão da nova região turística.

A formação de um grupo coeso, com características semelhantes e mesmo direcionamento, é importante especialmente na promoção de seus integrantes. A nova RT paranaense espera, por exemplo, se fazer presente no Mapa Brasileiro do Turismo já na edição deste ano. Esse levantamento feito pelo Ministério do Turismo indica os polos turísticos e os classifica com base em uma série de parâmetros, como maior fluxo turístico, número de estabelecimentos, empregos e arrecadação de impostos federais no setor de hospedagem, enquanto a última, tem números pouco relevantes para o setor. Municípios com melhores índices recebem nota A - assim sucessivamente até a nota E.

Scolaro destaca justamente a divulgação como um dos trunfos adquiridos já nos primeiros momentos após o reconhecimento da região turística - com a participação, por exemplo, em feiras voltadas ao setor. Há ainda a expectativa de gerar postos de trabalho com a nova empreitada. “Estamos trabalhando para que o turismo seja uma nova fonte econômica regional de geração de emprego, renda, melhoria de qualidade e para que isso reflita no estado como um todo”, afirma a coordenadora.

“[Com a criação da RT, as cidades] já estão conseguindo aumentar a promoção dos produtos turísticos da região, aumentar o interesse de novos investidores, com possibilidade de abertura de mercado. Isso sem dúvida vai impactar economicamente a região", afirma Tioqueta, da Paraná Turismo.

Algumas cidades já estão recebendo investimentos por parte da iniciativa privada para melhorias na infraestrutura turística. Um exemplo é União da Vitória, que teve recurso do estado aprovado para melhorias do Morro do Cristo, principal ponto turístico da cidade, além de uma quantia do Governo Federal, para a construção de um café de 400m² no local, com um mirante para o Rio Iguaçu. A obra já está 50% concluída. “A região foi criada em março e já está tendo esse retorno”, comemora Scolaro.

O momento para o surgimento de uma nova região turística é oportuno, já que uma das bandeiras da gestão do Governador Ratinho Jr., desde a campanha, era investir no setor para alavancar a economia. Mesmo com a pandemia restringindo os aportes, a Invest Paraná, agência estadual de atração de investimentos, diz ter prospectado mais de R$ 80 bilhões em novos negócios desde o início da gestão.

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